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Sistema de inspeção abre perspectiva de mercado para pequenos estabelecimentos sul-mato-grossenses

Oferecer aos estabelecimentos de produtos de origem animal do Estado a possibilidade de comercializar seus produtos em todo o território nacional. A possibilidade que eleva a ampliação de mercado, em especial para pequenos empresários do setor, foi aberta com a adesão de Mato Grosso do Sul no Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SISBI-POA), criado para padronizar e harmonizar os procedimentos de inspeção de produtos de origem animal, garantindo a procedência e a segurança alimentar.

Na última quinta-feira (5), enquanto o Senado realizava um debate para discutir o baixo nível de implementação do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária (Suasa) em uma audiência pública da Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA), Mato Grosso do Sul anunciava o recebimento do parecer.

Capaz de permitir a inserção no mercado formal de produtos que ainda necessitam de regulamentação específica, o sistema se apresenta como ferramenta para auxiliar os pequenos produtores que tem dificuldades em cumprir as exigências técnicas e burocráticas do Sistema de Inspeção Federal (SIF).

Para o secretario de Produção e Agricultura Familiar do Estado, Fernando Mendes Lamas, esse passo traz significativas possibilidades de crescimento da indústria, além de se mostrar um importante mecanismo de incentivo a ampliação de vários setores dentro da cadeia produtiva do Estado, mola propulsora de economia.

Contudo, a procura dos Estados foi pequena, justificadas com base nas dificuldades para cumprir com as exigências do Ministério da Agricultura e Abastecimento (MAPA) e ainda por conta da elevação dos custos operacionais, já que ao aderir o Estado passa a custear a execução dos serviços de inspeção. Para incentivar os Estados a aderirem, em 2015, o decreto que regulamenta o SISBI-POA foi alterado para reduzir a burocracia aos pequenos produtores. Ainda assim os Estados não se empolgaram.

Na primeira quinzena de abril deste ano, o Ministério da Agricultura e Abastecimento (Mapa) fez mais uma investida e realizou um encontro com Secretários de Estado e gestores de sanidade buscando entender os entraves que limitavam essas adesões. Durante os relatórios de cada Estado verificou-se problemas como a escassez de servidores, falta de arcabouço legal, a morosidade no agendamento das auditorias, a defasagem dos sistemas de informática e o número reduzido de cotas para análises laboratoriais, entre os mais elencados. A ministra do Mapa, Kátia Abreu, comprometeu-se a minimizar os problemas e nas semanas seguintes foi percebida a intensificação das vistorias.

Mato Grosso do Sul, que entrou com pedido em 2011 e sempre contou com o auxilio dos técnicos locais do Ministério na busca pela adequação as exigências, enfim recebeu parecer favorável a sua equivalência, condição que deve ser oficializada com publicação do Ministério, nos próximos dias.

Segundo o diretor Presidente da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), Luciano Chiochetta, durante esse período o Estado se preparou, adequando suas leis e capacitando seus os profissionais. “Deu tudo certo e a recomendação da equipe que esteve nos vistoriando na última semana foi favorável a equivalência dos nossos serviços e os que o Ministério realiza. Agora só estamos esperando a manifestação oficial do Ministério para começar a segunda fase desse projeto, que é incentivar os estabelecimentos a aderirem a este novo sistema”, completou Luciano.

Já tem serviços equivalentes ao SISBI-POA os Estados do Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais, Distrito Federal, Bahia, Espírito Santo e Goiás. Além de trabalhar na finalização do relatório sobre a Política Pública de Defesa Agropecuária – que servirá de base para projetos de modernização de práticas e regulamentação de normas sobre o controle sanitário – a audiência da Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA)  também discutiu a importância da aprovação de projetos, como o PLS 16/2013 e o PLS 581/2015 – que estabelecem regras para a rotulagem de produtos – e o PLS 434/2015, que obriga estabelecimentos comerciais a realizarem análises químicas e microbiológicas de alimentos colocados à venda para o consumidor final.

Sobre o Sibi-Poa

Parte do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária (Suasa), o Sisbi-Poa é uma ferramenta de inclusão que respeita as especificações regionais de produtos de origem animal em diferentes escalas de produção e permite a inserção no mercado formal (local, regional e nacional) de categorias de produtos que necessitam ainda de regulamentação específica.

O ingresso no Sisbi-Poa é voluntário e pode ser solicitado junto aos gestores do Sisbi nas Superintendências Federais de Agricultura (SFAs). Com a adesão, os produtos podem ser comercializados em todo o território nacional. Estados e municípios incluídos nesse sistema têm os serviços de inspeção reconhecidos como equivalentes ao Serviço de Inspeção Federal (SIF).

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