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Trânsito mata mais que crimes violentos em Mato Grosso do Sul e outros oito estados

Levantamento realizado pela Seguradora Líder compara indenizações por morte e dados das Secretarias Estaduais de Segurança Pública

Imagem: Acácio Gomes / Arquivo / Nova News

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Maio é o mês de conscientização sobre a violência no trânsito e a realidade no Brasil ainda é preocupante. Segundo um levantamento realizado pela Seguradora Líder, administradora do Seguro DPVAT, em nove estados brasileiros o trânsito deixou, em 2018, mais vítimas em óbito do que os crimes violentos.

O levantamento compara o total de indenizações pagas por morte pelo seguro obrigatório e os dados das Secretarias Estaduais de Segurança Pública. Segundo e estudo, em Mato Grosso do Sul, no ano passado, foram registradas 601 mortes no trânsito, ao passo em que os crimes violentos foram responsáveis pela morte de 480 pessoas.

São Paulo e Minas Gerais lideram a lista, com 5.462 e 4.127 sinistros pagos por acidentes fatais no trânsito contra 3.464 e 3.234 óbitos por crimes violentos, respectivamente. Os nove estados citados no levantamento somaram mais de 17 mil pagamentos do Seguro DPVAT destinados à cobertura por morte, representando 46% do total de sinistros pagos por acidentes fatais em todo o país no ano passado.

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Já os crimes violentos somaram 12.559 óbitos no mesmo período. Na sequência às localidades que lideram a lista, estão: Paraná (2.712 sinistros X 2.088 mortes violentas); Santa Catarina (1.537 X 840); Mato Grosso (1.143 X 978); e Piauí (1.111 X 615).

Em todos os estados, as motocicletas estiveram entre os veículos com maior participação nos acidentes fatais. No Piauí, elas foram responsáveis por 73% dos pagamentos de indenização do seguro obrigatório para este tipo de cobertura. Os números reforçam a distância do Brasil em relação ao cumprimento da meta fixada junto à Organização das Nações Unidas (ONU), em 2011.

Na época, quando o país selou o compromisso de reduzir pela metade o quantitativo de vítimas fatais no trânsito, eram registradas 24 mortes a cada 100 mil habitantes. Em 2018, a dois anos do fim do acordo, a média foi de 21.

Apesar do crítico cenário, os dados indicam que os acidentes vêm diminuindo. Em 2017, nos nove estados citados, foram pagas mais de 19 mil indenizações do Seguro DPVAT à cobertura por morte. Em comparação ao ano passado, houve uma queda de 8%. Os números da Polícia Rodoviária Federal da Polícia Rodoviária Federal ainda mostram que, em 2018, foram registrados 69.114 acidentes de trânsito nas rodovias federais de todo o país. Deste total, 5.259 foram fatais. Já em 2017, foram contabilizadas 89.547 ocorrências, com o óbito de 6.245 vítimas.

“Apesar da redução dos acidentes e das mortes, os números ainda revelam um cenário preocupante da violência no trânsito brasileiro. Dados da PRF mostram que, no ano passado, as principais causas das ocorrências foram falta de atenção à condução, desobediência às normas de trânsito pelo condutor e velocidade incompatível com o limite. Ainda é importante lembrar que o país obteve, pela OMS, a pior classificação referente ao limite de velocidade em áreas urbanas. Com isso, torna-se fundamental o constante investimento em prevenção, educação e medidas cada vez mais rigorosas de fiscalização”, afirma Arthur Froes, superintendente de Operações da Seguradora Líder.

Acidentes em Nova Andradina

Em reportagem publicada no mês de março deste ano pelo Nova News, o comandante do Corpo de Bombeiros em Nova Andradina, major Pablo Diego Barros de Jesus, disse que o número de acidentes registrados no município chama a atenção. 

Embora, naquela ocasião, o foco da reportagem não fosse os acidentes ocorridos em 2018, como no caso do levantamento da Seguradora Líder, foi apurado que, apenas de 01 de janeiro até o dia 18 de março deste ano, a corporação havia atendido 59 ocorrências relacionadas ao trânsito.

Ainda na oportunidade, o comandante havia detalhado que destes 59 acidentes, 33 foram colisões. Pablo explicou que em decorrência destes fatos, haviam sido atendidas 86 vítimas, sendo 53 homens e 33 mulheres.

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Em recente entrevista ao Nova News, comandante do Corpo de Bombeiros em Nova Andradina disse que acidentes podem ser evitados - Imagem: Acácio Gomes / Arquivo / Nova News

Na avaliação do major, a maioria das ocorrências de trânsito é fruto de imperícia, falta de atenção e desrespeito à sinalização. “Os acidentes podem ser evitados pelos condutores. Se cada um fazer a sua parte é muito difícil que um acidente ocorra, portanto, olhando por este ângulo, o número de ocorrências é considerado elevado”, afirmou ele naquela ocasião.

Ainda nas palavras dele, fator que chama a atenção nas ruas de Nova Andradina é o grande número de condutores que trafegam fazendo uso do telefone celular e também o de ocupantes de veículos que não se atentam quanto ao uso do cinto de segurança.

Sobre o Seguro DPVAT

O DPVAT é um seguro obrigatório de caráter social que protege os mais de 209 milhões de brasileiros em casos de acidentes de trânsito, sem apuração da culpa. Ele pode ser destinado a qualquer cidadão acidentado em território nacional, seja motorista, passageiro ou pedestre, e oferece três tipos de coberturas: morte (R$ 13.500), invalidez permanente (até R$ 13.500) e reembolso de despesas médicas e hospitalares da rede privada de saúde (até R$ 2.700). A proteção é assegurada por um período de até 3 anos.

Dos recursos arrecadados pelo seguro obrigatório, 50% vão para a União, sendo 45% para o Sistema Único de Saúde (SUS) para custeio da assistência médico-hospitalar às vítimas de acidentes de trânsito, e 5% são para o Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), para investimento em programas de educação e prevenção de acidentes de trânsito. Os outros 50% são direcionados para despesas, reservas e pagamento de indenizações. (*Com informações da Seguradora Líder).

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