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Dentista se refugiou no Brasil contra perseguição religiosa

Ela relata que não recebeu ajuda alguma do governo brasileiro, mas os fiéis da Bahá’í que já residiam por aqui deram todo o suporte para sua permanência. Eles são como tios para a gente, destacou

Shiva Rastegary Majzoob mora e trabalha em Londrina: "A qualidade de vida aqui é impecável" (Foto: Folha Cidades)

A dentista Shiva Rastegary Majzoob, residente em Londrina, foi uma das refugiadas da Revolução Islâmica. Ela é uma das 60 pessoas o governo brasileiro aceitou em 1986, quando tinha apenas 18 anos. Shiva contou que ela e sua irmã gêmea tiveram de realizar uma travessia no deserto montada em um camelo. Pagaram uma quantia em dinheiro para um atravessador, no entanto alguns dos que buscavam o mesmo objetivo não conseguiram porque ficaram perdidos e morreram no caminho por falta de alimentos e água.

"Saímos sem passaporte e fomos pelo Paquistão e ficamos um ano por lá até a ONU (Organização das Nações Unidas) preparar toda a documentação para nós virmos ao Brasil", apontou. Ela relata que não recebeu ajuda alguma do governo brasileiro, mas os fiéis da Bahá’í que já residiam por aqui deram todo o suporte para sua permanência. "Eles são como tios para a gente", destacou.

Aqui no Brasil conseguiu se formar em Odontologia e se especializou em Implantodontia. Hoje está totalmente adaptada ao cotidiano de Londrina. "A qualidade de vida aqui é impecável. Todos os dias caminho no lago, tenho tudo perto. A satisfação é total", afirma. Ela relata que uma sobrinha tentou vir ao Brasil, mas o governo daqui não quis validar seus estudos do Instituto Bahá’í para que ela pudesse fazer uma pós-graduação e ela foi admitida pela Universidade de Columbia, em Nova Iorque.

Desde 1979 mais de 200 Bahá’ís foram executados pelo governo iraniano e mais de 100 estão presos por causa de sua fé. Shiva relata que um dos professores do Instituto Bahá’í que foi perseguido e preso pelo governo iraniano foi seu professor no primário.

"Antes da Revolução Islâmica, os Bahá’í eram conhecidos por sua excelência em tudo o que faziam. São pessoas esforçadas e eram os melhores advogados, juízes, arquitetos do País e isso era um espinho no olhos dos radicais muçulmanos. Logo que tomaram o poder, os muçulmanos não deixaram mais os Bahá’í terem acesso às faculdades", destacou.

Ela disse que ao fazer a solicitação de matrícula em alguma faculdade, todos são obrigados a preencher o campo destinado a informar a religião. "Mesmo sabendo que os Bahá’í não possuem acesso, eles assumem a religião, pois dão o sangue por isso. Se o preço for não ir à universidade por ser Bahá’í, eles deixam de ir", destacou.

Shiva desabafa que é por essa razão que não se pode misturar religião e política. "As pessoas são manipuladas em razão do poder em vez de servir ao propósito de religar as pessoas a Deus, pelo contrário, elas só servem aos interesses do sistema", destacou.

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