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Após anos em decadência, Exponan se funde a Fejuna para não ser extinta

Quem conhece a realidade do município ao longo das últimas décadas vê com tristeza a junção dos dois eventos

Duas das maiores e mais tradicionais festas de Nova Andradina se uniram e neste ano de 2018 se transformaram em apenas uma: a Expojuna - Exposição Agropecuária e Festa Julina. Quem conhece a realidade do município ao longo das últimas décadas, vê com tristeza a junção dos eventos que fazem parte da sua história de crescimento.

Arrebatando multidões desde as suas primeiras edições, a tradicional exposição agropecuária surgiu a partir de uma era de ascensão da pecuária em Nova Andradina que chegou a ser chamada de ‘capital do gado’.

Já a Fejuna, completando 35 anos de existência, começou de forma tímida com um menor público ao ser realizada em um espaço público conhecido até os dias de hoje como ‘Praça da Fogueira’, localizada entre as Avenidas Ivinhema e José Heitor de Almeida Camargo, com as Ruas Melvin Jones e Arthur Costa e Silva.

Ao ganhar destaque, a festa, que tem como principal atração uma das maiores fogueiras do Estado e realizada pelo Poder Público Municipal, passou a ser realizada no Parque de Exposições Henrique Martins e sempre conseguindo atrair milhares de pessoas para prestigiarem ainda os shows com entrada franca.

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Estrutura passa a ser montada para festa 'dupla' que começa nesta quarta-feira (12) e segue até domingo (17) - Foto: Márcio Rogério/Nova News

Por outro lado, a feira agropecuária, que sempre foi realizada no mês de outubro, vem ao longo dos anos se desfragmentando com a ausência de grandes shows antes até gratuitos à população, aliado ainda à falta de expositores.

Com menor público, as últimas edições começaram a dar uma amostra do período de decadência que o evento passou a enfrentar. Mesmo mantendo alguns shows com preços promocionais, além ainda do tradicional rodeio e outras atrações, as ‘multidões’ que eram costumeiramente vistas desapareceram e, segundo os organizadores, a festa estava com grandes prejuízos.

Para tentar fugir de alguns contratempos, como período chuvoso e entre safra, a feira teve sua data alterada nos últimos anos, sendo ajustada para o mês de junho. E agora para a surpresa de público geral, ela se une a Fejuna e, desta forma, formando uma fusão dos dois eventos.

Ouvido pelo Nova News, o atual presidente do Sindicato Rural, Hemerson Israel dos Santos, expôs à reportagem que passou a ser crítica a dificuldade financeira da instituição nos últimos anos para a realização da exposição. Não uma realidade apenas de Nova Andradina, ele diz que o município não conseguiu aumentar o repasse necessário para manter a festa individualmente como antes ocorria.

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Tradicional parque de exposições volta a sediar evento - Foto: Márcio Rogério/Nova News

Detalhando em números a supressão de recursos, o presidente enfatiza que no ano passado as duas festas juntas totalizaram um montante de cerca de R$ 470 mil investido pela Prefeitura, contra R$ 280 mil agora em 2018. “Se não houvesse a junção, corríamos o risco de não termos a feira”, afirma.

Membro da diretoria do sindicato há vários anos, Santos afirmou que a exposição fecha com saldo negativo desde meados de 2008. “O melhor resultado foi no ano passado com apenas R$ 8,4 mil de prejuízo. Nos outros últimos anos, sempre fechávamos no vermelho e nem por isso desistíamos de realizar a festa no ano seguinte”, relata o presidente.

Ao fim da entrevista, o presidente explicou que a junção das festas não irá afetar a programação dos eventos que a população está acostumada a ver. “Só juntamos tudo em um mesmo espaço e a previsão é de recebermos um grande público durante os dias de festa”, aponta Santos ao falar da maior movimentação da economia local que já começa a ser sentida com hotéis já lotados. “Mesmo com dificuldades, vamos lutar ao máximo para ser mantida essa festa que é uma tradição que faz parte da nossa história e que é propulsora de nossa economia”.

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