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Após visita a Nova Andradina, Sinpol realiza audiência em Campo Grande 

Intenção é sensibilizar a população e os órgãos competentes para a situação da Polícia Civil em Mato Grosso do Sul

Nesta terça feira (25), durante visita a Nova Andradina e Batayporã, o representante do Sindicato dos Policiais Civis de Mato Grosso do Sul (Sinpol-MS), Amaury Pontes, conversou com o Nova News e disse que sua intenção é mostrar a mazela que existe na instituição policial regional, de acordo com ele, com viaturas sucateadas, delegacias sem estrutura e falta de agentes.

“O objetivo é conhecer de perto os problemas para expor aos deputados, membros da Organização das Nações Unidas (ONU) e Conselho Nacional de Justiça (CNJ) essas as dificuldades que a Polícia Civil enfrenta no que diz respeito a condições de trabalho e, principalmente, no sistema de prisão, algo que não é de sua competência. Vamos aproveitar a presença do secretário de segurança, bem como de outras autoridades, para mostrar a situação dos presos nas delegacias de Mato Grosso do Sul”, disse Pontes.

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Em sua análise, a Cadeia Pública de Batayporã representa um caso ainda mais grave, por não oferecer nenhuma condição de reclusão. Ele argumenta que esta fragilidade coloca em risco a vida dos policiais bem como da população que mora nas proximidades. Ele prevê que, nos próximos dias, ocorrerão outras fugas, conforme as já noticiadas devido ao fato de o local não oferecer nenhuma condição estrutural para manter alguém preso.

"Nossa ideia é que seja construído um presídio. Delegacia não é lugar de colocar preso. Nas cadeias não tem psicólogo, médico, assistente social, não tem nada disso. Nossos policiais são preparados para investigar crime e não para cuidar de presos, ainda mais, sem as mínimas condições de trabalho", critica o representante.

Amaury Pontes atacou o Governo do Estado argumentando que o problema se deve por economia indevida. "A Agência Estadual do Sistema Penitenciário (Agepen) pediu 15 agentes para cuidar da Cadeia de Nova Andradina, enquanto o governo mantém hoje, apenas um policial civil. Como sai mais barato, a segurança parece não importar", desabafa.

Solução

A ausência de vontade política é apontada como a principal deficiência em solucionar o problema. Pontes argumenta que, há cerca de dois anos, a Cadeia de Nova Andradina passou por uma reforma e as modificações fizeram com que o espaço proporcione bom acondicionamento de detentos, “O problema é o número de pessoas disponíveis para fazer essa segurança”, avaliou.

O Simpol defende a estatização da Cadeia por parte da Agepen. Segundo ele, é fácil resolver a questão. "Basta passar esse prédio, onde funciona a Cadeia Pública, para a Agencia Penitenciária e alugar uma casa de maneira provisória para a Policia Civil atuar. Não precisa mais que isso, agora, o governa não quer contratar agentes, esse é o problema", alfineta o membro da entidade.

A construção de novos presídios está praticamente descartada por ele, já que, em seu entendimento, o governo não quer ceder funcionários para cuidar das cadeias e, dificilmente, investirá em presídios, uma vez que estas obras demandariam a contração de muitos agentes. "O único respaldo que o policial civil que cuida da cadeia tem é o cuidado de Deus", finalizou.

Audiência

Diante da situação caótica em que se encontra a questão dos presos nas delegacias de polícia de todo o Estado, das condições subumanas em que os mesmos passam dentro das celas, da falta de investimento do Governo na Segurança Pública de Mato Grosso do Sul, e a consequente insegurança da população, o Sinpol, promoveu nesta quarta-feira (26) uma audiência pública, para tratar da carceragem de presos nas delegacias. O evento aconteceu na Assembleia Legislativa.

 

Ainda conforme o Sinpol, a intenção da audiência éra sensibilizar a população e os órgãos competentes para esta situação que há anos vem se “arrastando”, e que precisa de uma resolução imediata por parte de autoridades competentes.

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