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Cachorro morto em ritual religioso revolta moradores da Capital

Um suposto ritual religioso tendo um cachorro como “oferenda” revoltou defensores de animais de Campo Grande, que alertam para um possível crime de maus-tratos. Segundo uma protetora, o animal está no canteiro central da avenida Via Park desde a última quarta-feira (7).

“Há dois dias nós recebemos a informação de um cachorro atropelado na avenida, e imediatamente fomos resgatar. Mas quando chegamos lá, nos deparamos com o ritual”, relata Daniela Reis, protetora independente. Ela afirma que o animal estava com as patas amarradas com cordas.

Imagens enviadas pelos defensores à equipe do MS Record mostram o cão morto dentro de uma caixa. Ele estava envolto em vestes brancas, rodeado de fitas e panos coloridos. As “oferendas” incluíam balas e outros alimentos. “O que também me indigna é que passei há pouco na Via Park, e vi que o cão ainda está lá. O ritual já está descaracterizado, mas ainda não foi retirado”, afirma a protetora.

De acordo com o titular da Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Ambientais e Proteção ao Turista (Decat), Antonio Silvano Rodrigues da Mota, caso seja confirmado que o cachorro foi sacrificado em ritual, o ato caracteriza um crime. “A legislação não permite que cães sejam mortos em trabalhos religiosos, então o fato pode ser considerado crime de maus-tratos”, explica.

Procurado, o presidente da Federação de Cultos Afro-brasileiros e Ameríndios de Mato Grosso do Sul (Fecams), Irbis Barbosa, também repudiou o suposto ritual. “Esse tipo de prática não tem nenhuma relação com a Umbanda ou o Candomblé. É um ato de crueldade, que nós condenamos”, enfatizou.

Conforme o presidente da Fecams, as religiões africanas e ameríndias fazem trabalhos apenas com galináceos ou cabritos, que são considerados “animais de abate”. Para ele, o ato da Via Park não pode ser considerado um rituais. “Aquilo se trata de um crime, que acaba até prejudicando a imagem das religiões sérias”, pontua. O caso deve ser averiguado pela polícia. O titular da Decat afirmou, porém, que o crime não prevê reclusão. 

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