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Cadeia de Nova Andradina é citada em audiência na Capital

“Lá está a delegacia em pior estado. Dentro dela tem 110 presos, sendo que o espaço disponível é para 24”, denuncia o Sinpol

Diante da situação caótica em que se encontra a questão dos presos nas delegacias de polícia de todo o Estado, das condições subumanas em que os mesmos passam dentro das celas, da falta de investimento do Governo na Segurança Pública de Mato Grosso do Sul, e a consequente insegurança da população, o Sindicato dos Policiais Civis de Mato Grosso do Sul (Sinpol-MS), promoveu nesta quarta-feira (26) uma audiência pública, para tratar da carceragem de presos nas delegacias. O evento aconteceu na Assembleia Legislativa.

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A superlotação dos presídios estaduais é um problema crônico que atinge todas as unidades do Brasil. Em Mato Grosso do Sul não é diferente. Aqui no Estado, por falta de espaço em penitenciárias, pelo menos 70 condenados pela Justiça "aguardam" nas delegacias e acabam “atrapalhando” o serviço policial.

Audiência contou com presença de representantes da ONU e da Assembleia Estadual (Foto: Marcos Ermínio)

O fato foi divulgado nesta quarta-feira (26) durante a audiência pública “A custódia de presos em delegacias de MS e as consequências para a sociedade”, realizada na Assembleia Legislativa pelo Sinpol (Sindicato dos Policiais Civis) e que contou com representantes dos Direitos Humanos ligados a ONU (Organização das Nações Unidas).

 

Conforme o vice-presidente do sindicato, Roberto Simião, a maioria dos condenados cumpre parte da sentença nas delegacias de polícia até o surgimento de uma vaga em presídio, sendo que “deveria ficar até o encerramento das investigações”.

Nova Andradina

“Atualmente, os condenados ficam cerca de 60 a 90 dias nas delegacias”, revelou Simião. “São 70 condenados espalhados pelas delegacias do Estado”, emendou. A situação mais crítica, conforme relatos, é percebida em Nova Andradina.

“Lá está a delegacia em pior estado. Dentro dela tem 110 presos, sendo que o espaço disponível é para 24”, denunciou. Para o sindicato, o problema é crônico: são 6,5 mil vagas em presídios do Estado, sendo que existem 13 mil presos, além dos 18 mil mandados a serem cumpridos.

Cadeia Pública de Nova Andradina sofre há anos com o caos da superlotação (Foto: Arquivo/Nova News)

“Sabemos que uma solução rápida é impossível. Por isso, pedimos soluções a médio e longo prazo [...] por isso temos que investir no sistema penitenciário para diminuir essa onda de violência nas cidades”, opinou Simião, lembrando que existem mil policiais civis na ativa em Mato Grosso do Sul.

Opiniões 

Representante da ONU no Estado, Ângela Pires Terto, lembrou que audiências como as realizadas hoje funcionam como um começo de diálogo com a ONU “para garantir os direitos e para que a situação melhore”. “A situação apresentada é complexa e não há uma resposta única, mas sim várias medidas que podem ser tomadas”, reiterou.

Já um dos diretores da Sejusp (Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública), André Matsuchita, afirmou que, atualmente, “o Estado não está em uma situação de caos, mas sim em uma situação que precisa ser melhorada”. Ele garantiu que Mato Grosso do Sul é o 9º estado mais seguro do País. “Em 2000, o Estado era o 20º”, afirmou.

“Mato Grosso do Sul é o estado onde mais se encarcera no País. São 496 a cada 100 mil habitantes. Estão trabalhando para melhorar essa situação e afirmo que não estamos involuindo, mas sim evoluindo”, pontuou.

Para ajudar a desafogar as delegacias, Matsuchita lembrou que serão construídas três cadeias públicas na região da Gameleira, em Campo Grande. “Duas masculinas e uma feminina”, disse. Ele ainda falou que uma dessas unidades prisionais já está em andamento, inclusive com licitação pronta.

Policiais civis podem entrar em greve a partir do dia 2 abril (Foto: Arquivo)

Greve

Policiais civis de Mato Grosso do Sul podem entrar em greve a partir do dia 2 abril, caso o Governo do Estado não atenda reivindicações por melhores condições de trabalho da categoria no Estado. A última paralisação ocorreu em maio do ano passado.

"O indicativo de greve já foi aprovado em assembleia. Agora, no próximo sábado, dia 29, vamos nos reunir em Campo Grande para decidir se vamos ou não deflagrar a paralisação", diz o vice-presidente do Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol/MS), Roberto Simião de Souza. (Com informações dos sites Campo Grande News e Dourados News).

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