Publicado em 03/04/2018 às 13:28, Atualizado em 03/04/2018 às 17:48

Cães farejadores ajudarão a Polícia Militar na repressão às drogas em Nova Andradina

Policiais de Nova Andradina estão realizando treinamento em Curitiba (PR) para a implantação de canil no quartel do 8º BPM

Luciene Carvalho, Redação Nova News

Quem acha que cães são usados apenas como companhia se engana. Muitos são usados pela polícia para um trabalho importante: farejar drogas. Em uma realidade não muito distante, o 8º BPM (Polícia Militar de Nova Andradina) terá um novo aliado na repressão ao tráfico de entorpecentes a partir de uma proposta que começou a ser efetivada para a implantação de um canil no quartel.

Seis policiais do 8º BPM (Batalhão de Polícia Militar) estão em Curitiba, capital do Estado do Paraná, participando desde essa segunda-feira (2) de um treinamento realizado pelo Batalhão de Operações Policiais do Estado do Paraná, através da Companhia de Operações com Cães, que é uma referência no país na área de cinotecnia. O curso se estende até o dia 17 de abril.

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Cães farejadores permitirão maior ostensividade ao trabalho policial em Nova Andradina – Foto: Divulgação

Em entrevista exclusiva ao Nova News sobre o assunto, o comandante da Força Tática, capitão Nelson Vieira Tolotti, explicou que a cinotecnia trata-se de uma técnica para a utilização do cachorro no emprego policial militar. “Tal técnica abrange duas finalidades. A primeira é o trabalho com o cão de faro para a localização de entorpecente, explosivo, arma etc. Já a segunda consiste no chamado cão de defesa ou de proteção como pode ser chamado. Neste caso, a atividade policial é destinada à captura de foragidos e também no trabalho em estabelecimentos prisionais”, expôs o comandante ao afirmar que dos seis policiais que participam do treinamento, cinco são da Força Tática, além de serem os únicos do Estado a serem hoje contemplados com o curso.

Trabalhar com o cão de faro no combate às drogas em Nova Andradina é, segundo o capitão, uma ideia que surgiu diante da necessidade da otimização de ações de enfrentamento à problemática que passou a ser o fator preponderante para o aumento dos índices de criminalidade.

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Comandante da Força Tática mostra o local onde canil será instalado no quartel - Foto: Luciene Carvalho/Nova News

Tudo se evolui nos dias de hoje e no mundo do crime não é diferente. O tráfico de drogas evoluiu de uma forma tão velada que é preciso mais ostensividade para reprimi-lo.

capitão Vieira, comandante da Força Tática

“Tudo se evolui nos dias de hoje e no mundo do crime não é diferente. O tráfico de drogas evoluiu de uma forma tão velada que é preciso mais ostensividade para reprimi-lo. Em 2012, por exemplo, os traficantes alugavam uma casa apenas para o fim de vender droga, locais explicitamente chamados de ‘bocas de fumo’. Já hoje tudo mudou. Até mesmo nas redes sociais a venda de drogas tem se disseminado através de mensagens instantâneas em aplicativos, em que até grupos são formados para esse fim. Sem falar ainda que as vendas passaram a ser em menores quantidades na tentativa de se desvencilhar da polícia, em que demandam buscas mais aprimoradas nos locais de esconderijo a droga”, detalhou Vieira.

O canil 

Conforme detalhou à reportagem, o capitão expôs que já existe um local no quartel destinado para as futuras instalações do canil. Inicialmente, Vieira afirmou a ideia é de trabalhar com dois cães farejadores que estão em vias de viabilização no Estado. Pelo relatado, um cachorro da raça pastor alemão já foi doado à instituição.

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Seis policiais de Nova Andradina estão participando de treinamento em Curitiba (PR) – Foto: Divulgação

Questionado sobre como funcionará o canil, o comandante disse que os cães serão treinados em centros específicos e trazidos para Nova Andradina posteriormente ao passo que os policiais do 8º BPM já estarão preparados para o seu manuseio na atividade policial. “Devidamente preparados antes de chegarem ao batalhão, vale esclarecer que um cão farejador não tem contato direto com o entorpecente durante o adestramento. São usados tubos de ensaio com a utilização apenas da essência da droga para preparar o animal. Em outras palavras, isto quer dizer que os cães não são viciados e aprendem ludicamente como encontrar a droga em uma operação policial”, explicou o capitão.

Ao fim da entrevista, Vieira ratificou que a proposta visa em um futuro próximo agregar ao emprego policial a ferramenta de emprego animal para que dê mais eficiência no combate às drogas em Nova Andradina. “Trata-se de um sonho da unidade que já conseguimos começar a efetivar, graças é claro a parcerias com a comunidade, em especial à Pax Nova Andradina, e com o Conselho Comunitário de Segurança Pública”, agradeceu o comandante.