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“A alma mais honesta do país”, por Elizeu Gonçalves Muchon

Elizeu Gonçalves Muchon é professor e jornalista

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Elizeu Gonçalves Muchon - Foto: Divulgação

Certo dia, Lula não ficou nem vermelho para se alto proclamar “a alma mais honesta do país”.

Essa alma honesta, com sua liderança incontestável, levou o PT e Fernando Haddad ao segundo turno. Não obstante ao feito impressionante, ordenou, recentemente, que seu pupilo não o visitasse mais na cadeia.

Fernando tenta sair do casulo, mas conforme disse na tribuna do Senado há um ano, o senador Paulo Paim PT- RS, é preciso muito sabão para lavar a sujeira feita pelo PT – palavras dele.

Parece, no entanto, que o pano está muito enodoado, cuja razão tem levado Fernando a se despir de tudo que lembra o PT, até mesmo as visitas à alma mais honesta do Brasil.

No outro lado, Bolsonaro usa como pretexto a facada, da qual já se recuperou, para se esquivar dos debates. Fica em seu Quartel General, cercado de palpiteiros, marqueteiros, estrategistas e todo tipo de puxa saco aconselhando a não entrar em campo, pois julgam que o jogo está ganho. Quem diria, no dia a dia, recebe candidatos de todos os Estados que disputam segundo turno, em uma espécie de cerimônia de “beija-mão”.

Nesse nebuloso cenário, as previsões ficam por conta das pesquisas, que a conta gotas vai mostrando as intenções de votos. Sempre paira um suspense, especialmente porque os institutos nem sempre acertam. Existe uma máxima que profetisa: “das urnas e cabeça de juiz, nunca se sabe o que sai”.

A rigor, o que se espera agora são os debates. Quase 35% dos eleitores não escolheram nem Bolsonaro, nem Haddad no primeiro turno.

Eu mesmo, não fui eleitor nem de um, nem do outro no primeiro turno, estou aguardando as propostas de ambos para definir o voto em segundo turno. Porém, já deu pra perceber que o Bolsonaro recuou a defesa e joga nos contra ataque, por sua vez Haddad mudou as estratégias e botou o time no ataque. O técnico, digo, o coordenador da campanha de Haddad, o senador eleito Jaques Wagner - a própria arrogância em pessoa - convoca a militância, como se dá um pito em um menino. Não está surtindo efeito. Somente Lula, a alma honeste tem essa força.

Uma coisa é certa, a diferença de votos entre Fernando e Bolsonaro, no primeiro turno, chegou perto de vinte milhões de votos. Isto significa que Haddad tem que conquistar quase um milhão de votos por dia para vencer as eleições. É muito difícil.

Outro dado importante, apurado pelos institutos de pesquisas, é que, 59% da população quer que Lula continue preso. Em tese, essas pessoas votam no Bolsonaro. 37% querem o Lula livre. Assim sendo, cientistas políticos apostam nesses percentuais como resultado final das eleições.

É esperar para ver.

Congresso. Quem vai aprovar ou não as medidas no futuro presidente, é o Congresso Nacional. Falar até papagaio fala, mas aprovar seus projetos no Congresso, exige muito mais do que discursos. Antes de tudo, é preciso aguardar o comportamento dos novos parlamentares. Como vão votar, como vão se posicionar, como vão se movimentar no parlamento. Serão protagonistas, ou serão membros do baixo clero? Ser eleito no efeito manada, é privilégio que muitos tiveram, entretanto, não há democracia forte, sem um parlamento forte. Parlamento forte só existirá com parlamentares com conhecimento para debater e votar matérias importantes, é diferente de apenas dizer: “vou lutar pela educação, saúde e segurança pública”, agora é hora de mostrar que mereceram o voto da população. Seja quem for o próximo presidente, o Congresso será (ou não) o fiel da balança. Em tempo, a turma do Rodrigo Maia já se movimenta para reelegê-lo presidente da Câmara.

Elizeu Gonçalves Muchon – Professor e Jornalista

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