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“A bomba que não pode explodir”, por Elizeu Gonçalves Muchon

Elizeu Gonçalves Muchon é professor e jornalista

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Elizeu Gonçalves Muchon - Foto: Divulgação

O Brasil pode ser comparado a um barril de pólvora com data marcada para explodir. O estopim “seria” aceso em outubro com as eleições e a explosão dar-se-ia em 2.019.

É obvio que essa bomba não pode explodir. Mas para isso não ocorrer, é necessário que aproveitemos a democracia. A rigor, a democracia é o regime político em que a soberania é exercida pelo povo. No entanto, a não participação nas eleições, subentende-se abrir mão do exercício desta soberania.

Então vejamos: No Estado de Tocantins, a justiça eleitoral realizou uma eleição para um mandato tampão, junho a dezembro de 2.018, para eleger um substituto ao governador casado juntamente com sua vice. Nessa eleição, 34,86% dos eleitores não compareceram para votar. Dos que compareceram, 23,46% anularam o voto e 2,56% votaram branco. Portanto, um total de 60,91% rejeitou a oportunidade soberana da escolha.

Isso significa que apenas 39.09% da população daquele estado votou em um dos candidatos. Como votos nulos, brancos e abstenção não anula a eleição, alguém foi eleito, porém com grave fragilidade, porque não terá apoio popular para tomar qualquer medida forte e necessário a fim de ajustar a gestão daquele Estado.

Tal exemplo é para mostrar que no âmbito nacional, esse fenômeno pode vir a acontecer. Um eventual fato nessas proporções elegerá um presidente sem respaldo da população para promover e implantar as mudanças necessárias em busca do fortalecimento econômico e político do País.

O sistema pluri multipartidário brasileiro, por conseguinte, com multiplicidade de candidaturas e coligações fisiológicas e pragmáticas, inclusive gente do outro lado do gradil, egoisticamente se achando o suprassumo do limão galego, querendo sentar na cadeira de presidente, direciona as eleições para o desinteresse do eleitor. Hoje, segundo o Ibope, 6 em cada 10 eleitores ainda está indeciso.

Tenho acompanhado entrevistas e debates com os pré-candidatos a presidente da república. Noto que a maioria deles focam nas obviedades periféricas dos problemas, mas não aprofundam detalhadamente em seus supostos programas de governo, ou como farão para resolver cada um dos gargalos.

É fácil para qualquer candidato dizer que vai fazer ou não vai fazer uma reforma da previdência, por exemplo, mas é difícil e até meio cascudo fazer qualquer compromisso. Sobre esse tema, recentemente uma comissão do Senado Federal, mostrou com documentos que grandes empresas devem ao INSS um trilhão de reais, desmascarando as mentiras do atual governo em seus comerciais de rádio e TV sobre a referida reforma. Ou seja, ao votar em alguém, estaremos dando carta branca para que depois tomem uma decisão sobre esse e dezenas de outros assuntos que vai bulir com a vida das pessoas, logo, é absolutamente necessário que o candidato coloque em seu plano de governo e se comprometa de forma explícita com a população, assim sendo o eleitor votará consciente de que está autorizando-o a governar nessa direção.

Quando digo que o Brasil pode ser comparado a um barril de pólvora com data marcada para explodir, quero alertar – embora os alertas têm se revelado insuficiente – para o fato de que se a maioria da população deixar de participar das eleições, o país vai eleger um presidente sem respaldo popular e sem força para administrar. Levando em conta a crise atual que já vem de alguns anos, conclui-se que um novo presidente fraco, poderá assistir a essa explosão, quando o que todos nós queremos é alguém com força política e equilíbrio para normalizar a economia e as questões sociais. Até porque o Brasil é um país rico, de gente trabalhadora, de empreendedores abertos ao mundo globalizado, mas falta um olhar ético que vai desde o eleitor até as autoridades.

Quem elege um presidente está elegendo seu programa de governo, portanto é necessário prestar muita atenção para depois não se arrepender.

Comparando com o futebol, se alguém contrata um técnico retranqueiro para dirigir sua equipe, não pode cobrar dele um time ofensivo.

O atual cenário político brasileiro assemelha-se a um balaio de gato. Todavia, as eleições vindouras é um momento importante para que cada cidadão tenha um olhar sobre o Brasil com princípios inegociáveis, colocando acima de tudo as liberdades democráticas e o Estado de Direto. Esse rastilho de pólvora que pode levar a uma explosão indesejada, só será interrompido com a participação popular.

Elizeu Gonçalves Muchon – Professor e Jornalista

[email protected]ail.com

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