Publicado em 20/05/2019 às 09:47, Atualizado em 20/05/2019 às 13:51

“A dinâmica da economia”, por Elizeu Gonçalves Muchon

Elizeu Gonçalves Muchon,
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Elizeu Gonçalves Muchon - Foto: Divulgação

A dinâmica de nossa economia é exatamente a ausência de dinâmica. 2.019 deverá ser mais um ano de desempenho pífio. Não devemos ter crescimento além de 1%. Alguns economistas já falam em recessão. O quadro é de estagnação. O País não cresce. A taxa de desemprego aumenta. O Governo deposita uma esperança irreal na reforma da previdência, como se ela tivesse o poder mágico de resgatar a confiança perdida.

A indústria brasileira encolhe, consequências de um consumidor desempregado e sem dinheiro, o que gera, evidentemente um quadro de profunda depressão na roda da economia. O pior, é que o Governo não tem um plano econômico para o país, apenas diz que quer resolver o rombo nas contas públicas gerado por corrupção e inércia nas últimas décadas, tendo como mote a reforma da previdência, a qual vai dificultar a aposentadoria e produzir uma legião de idosos que recebem um salário mínimo, sem nenhuma fonte de renda, podendo causar um caos social ainda maior. Cortar privilégios é absolutamente necessário, mas jogar a conta nas costas de assalariados é um equívoco histórico e desumana.

O país está na iminência de mergulhar em crise fiscal grave.

O Governo não tem uma base estável de apoio no Congresso Nacional.

A oposição cobra, mas é desmascarada pelo Governo, pois até pouco tempo a oposição estava no Governo e mergulhou o país na recessão.

Lembra um barco à deriva que vaga a esmo pela imensidão do oceano.

Tudo aponta para uma constatação de que questões políticas tem que ser resolvidas com decisões políticas. Não há como correr da política. Não há como esconder atrás de questões ideológicas, embora elas sejam importantes, mas as decisões econômicas passam indubitavelmente pelas questões políticas.

O Presidente perdeu o comando. Sua popularidade ungida pelas urnas vai derretendo aos poucos. O próprio governo cuida de sua autodestruição e aos poucos a Câmara dos Deputados liderada pelo chamado “Centrão”, do qual um dia Bolsonaro fez parte, vai ganhando protagonismo e dominando a pauta da Casa.

Na avaliação de um grupo de Parlamentares do PSDB, DEM e PR, o congresso não pode ficar apenas na agenda de aplicar derrotas sucessivas ao Governo. Precisa, por outro lado, aprovar medidas que mostrem um compromisso com a recuperação da economia, “mas”, contudo, se descolando da imagem do Governo. É consenso de que não haverá clima de relação com Governo e por esta razão, o congresso quer agir como se fossemos um “Parlamentarismo”. Alguém já chamou Rodrigo Maia de Primeiro Ministro. Uma estratégia perigosa e inconstitucional, mas que no fundo reflete a vulnerabilidade do Governo.

A semana que passou foi de pressão nas ruas e derrotas no Congresso. Sinal de que o Governo precisará organizar sua frágil articulação com o Legislativo para aprovar, em 15 dias, 11 Medidas Provisórias que estão para vencer. A maioria delas tem relevante impacto na economia e na estrutura administrativa do Executivo. Não aprová-las, subentende azedar ainda mais os rumos do Governo.

Elizeu Gonçalves Muchon – Professor e Jornalista

elizeumuchon@hotmail.com