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“A hora do voto”, por Elizeu Gonçalves Muchon

Elizeu Gonçalves Muchon é professor e jornalista

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Elizeu Gonçalves Muchon - Foto: Divulgação

O humor do eleitor brasileiro não está combinando com a primavera e o reflorescimento da flora terrestre.

Há um claro radicalismo tanto por parte dos apoiadores de Bolsonaro, quanto por parte dos apoiadores de Fernando Haddad.

O tempero azedou a partir de uma combinação de fatores e, sobretudo, na divulgação de fatos, notícias e imagens, especialmente nas mensagens de WhatsApp, cujo conteúdo – segundo estudos de diversas fontes – de cada cem mensagens, apenas oito são verdadeiras.

Uma terra de ninguém. Uma deturpação de ferramentas importantes usadas com viés de esperteza, orientado por especialista em espalhar mentiras.

Tem eleitor zangado, tem eleitor frustrado, tem eleitor alheio, tem eleitor comprometido, tem eleitor vendido, tem eleitor com a faca nos dentes, tem eleitor Maria vai com as outras, tem eleitor ausente. Tem os irresponsáveis e os prudentes. Tem de tudo. Entretanto, o voto é o voto, tem o mesmo valor, seja do nobre ou do cidadão comum.

Grande parte da população está pautada em motivações ideológicas. Decidirão seu voto, no entanto de forma pragmática, sem a devida observação nas entrelinhas dos programas de Governo. Sem atentar para a significação dos programas, esquecendo que ao eleger alguém, evidentemente está aprovando seu programa de governo.

Ao tomar posse, o chefe do Executivo Estadual e Federal, vai trabalhar para colocar em prática seu programa de governo registrado na Justiça Eleitoral, (do qual pouca gente tomou conhecimento), e não as mensagens veiculadas em redes sociais, ou mesmo nos programas de rádio e TV.

Isso demonstra de forma inequívoca que existe uma diferença entre a política e politicagem, uma distância entre o Governo e o ato de governar, um contraste entre as propagandas e suas obviedades de vale tudo, com os programas oficiais dos candidatos, esse sim, são as bases dos projetos futuros que vão definir a política econômica, as ações de infraestrutura, os investimentos em educação, saúde e tudo mais que vai bulir com a vida do cidadão.

Por outro lado, é bom lembrar e até comemorar o sagrado direito de exercer o voto. É hora do voto. É hora de exercer a cidadania e fazer a escolha que vai definir a vida do país nos próximos quatro anos. Mesmo diante de um cacho de declarações polêmicas feitas pelos candidatos e partidos.

Quanto ao Bolsonaro e ao Haddad, eles são candidatos, estão exercendo aquilo que um dia Getúlio Vargas disse: “se o cavalo passar encilhado na frente, eu monto”. Quem vai cair do cavalo, dependo do resultado das eleições. Espero que não seja o povo.

Penso que o radicalismo é erva daninha na evolução da humanidade, mesmo assim deixo para reflexão a frase de um conceituado jornalista brasileiro do século XIX, de nome João Capistano Honorário de Abreu. Perguntado o que “ele” (as vésperas de uma eleição) proporia para melhorar o Brasil, ele respondeu: “Eu proporia que se substituíssem todos os capítulos da Constituição Federal por apenas dois artigos: Art 1º Todo brasileiro fica obrigado a ter vergonha na cara. Art 2º Fica revogada as disposições contrárias. Claro que a frase do grande Capistano de Abreu, não fora dita em tempos de redes sociais, se fosse, talvez seria ainda mais crespa.

Seja como for, a vontade do povo realmente representa a verdade das urnas (eletrônicas), que segundo o TSE são invioláveis.

Elizeu Gonçalves Muchon – Professor e Jornalista

elizeumuchon@hotmail.com

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