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“A presença do Brasil na ONU”, por Elizeu Gonçalves Muchon

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Elizeu Gonçalves Muchon - Foto: Divulgação

Como foi a participação do Brasil na ONU dia 24/09 com o discurso de abertura do Presidente Bolsonaro?

Para os simpatizantes do Presidente o discurso foi ótimo, contundente, eloquente e deu a resposta certa aos críticos internacionais sobre a Amazônia, especialmente.

Para os adversários e críticos do presidente o discurso foi tosco, efêmero, catastrófico, um retrocesso e focado ao Brasil, quando deveria ser direcionado ao mundo.

Nota-se nas duas avaliações uma espécie de “transtorno de opinião compulsiva”.

Essas avaliações de caráter compulsivos não se limita ao cidadão comum que navega nas redes sociais e expressa sua opinião sem parâmetros técnicos. Isso se estendeu as grandes redes de comunicação.

Ao analisar a forma em que os canais de TV divulgaram a notícia, por exemplo, ficou totalmente explícito três narrativas diferente.

A rede Globo pinçou os pontos negativos do discurso e em torno deles explorou o lado ruim do pronunciamento.

A Record e o SBT fizeram uma leitura diferente. Abordaram os pontos positivos conforme seus editores melhor entenderam.

Outros canais, (poucos é verdade), optaram por uma narrativa independente e com participação de analista que comentaram os pontos positivos e negativos.

A mesma coisa aconteceu com as emissoras de rádio e jornais que seguiram à risca a linha editorial. O problema é exatamente a “linha editoria”. Nela está contida os contratos que cada empresa de comunicação tem ou não com o Governo.

Críticas e elogios fazem parte do conjunto de interesses que permeiam o envolvimento da empresa de comunicação, ou de cada pessoa, ou instituições com o Governo. A tendência é de que os beneficiados tirem o pé e os não beneficiados apertem o pé no lado crítico ao poder público. Isso pode ser conceituado como um transtorno de opinião motivado pelos interesses.

Desde 1947, quando Oswaldo Aranha, chanceler brasileiro presidiu a primeira sessão especial da Assembleia Geral das Nações Unidas, o discurso brasileiro recebe grande atenção e pode, não só pode, mais deve ser usado para consolidar suas relações diplomáticas e comerciais com o mundo.

Por fim, num Brasil polarizado, as reações ao discurso de Bolsonaro na ONU, só poderia mesmo variar entre elogios derramados e críticas ferrenhas. Não tem como relativizar a importância disso de imediato, somente com o passar dos dias vamos poder contabilizar os lucros ou os prejuízos na relação com outros países, sobretudo no que se refere aos acordos comerciais realizados em condição bilateral.

Elizeu Gonçalves Muchon – Professor e Jornalista.

elizeumuchon@hotmail.com

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