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“A segurança pública na ordem do dia”, por Elizeu Gonçalves Muchon

Elizeu Gonçalves Muchon é professor e jornalista

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Elizeu Gonçalves Muchon - Foto: Divulgação

A propósito, quero recomendar a leitura do livro: Cocaína – A Rota Caipira, do escritor Allan de Abreu. Obra de mais de 800 páginas, digna de um filme de ação, com perseguições e balas voando para tudo que é lado.

O autor destrincha o modus operandi de diversos traficantes. A corrupção policial. O envolvimento de juízes e promotores. A criatividade dos traficantes. A vulnerabilidade das fronteiras. A falência do sistema prisional. O envolvimento da elite... E por aí vai.

Literatura à parte, é necessário ficar atento para as eleições que se aproximam e observar se o tema “segurança pública” será recorrente no debate entre os candidatos.

Atualmente a agenda principal do presidente Temer é a segurança pública. Primeiro foi a intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro. Segundo foi o anúncio de empréstimo aos governadores na ordem de 42 bilhões para investimento em segurança pública.

Semana passada, aqui mesmo no Nova News, reclamei veementemente do governo federal, pelo fato de destinar montanhas de recursos para o Rio, em detrimento e esquecimento dos outros estados. Então o nobre presidente, vem e oferece empréstimo aos demais estados. Todavia, nenhum estado tem capacidade de endividamento para contrair quaisquer tipos de empréstimos.

Uma das exigências do presidente é para que os governadores construam mais presídios. Porém, o governo federal não tem construído presídios federais, sobrecarregando os presídios estaduais.

Diante deste debate, é importante observar que com a crise na economia, diversos estados têm diminuído o investimento em segurança pública. Sem contar que a má gestão tem agravado o problema. O exemplo maior é que os presídios têm se tornado gabinete dos chefes de facções, que comandam o tráfico com telefones celulares.

Ainda sobre recurso para segurança pública, é bom lembrar que entre 2.016 e 2.017, o governo federal fez um corte radical na verba destinada à defesa e segurança das fronteiras. O corte foi de 54%. Despencou de 285,7 para 132,4 milhões.

Por outro lado, a Câmara e o Senado, estão na iminência de votar alguns endurecimentos na legislação. Isso é necessário. Entretanto, o mais importante nesse momento é observar com clareza qual a proposta dos presidenciáveis para a segurança pública. Sabemos que a saúde e a educação estão falidas. O bom é ver construção de escolas e hospitais e não construção de presídios, mas esse é um mal necessário. Claro que segurança pública não se resume a isso, o assunto é complexo e amplo, justamente por esta razão é que os candidatos a presidente e governadores têm que ter uma proposta clara e viável para fazer do país um lugar onde se pode ter um mínimo de garantia da cidadania.

O grande problema é que os programas eleitorais, exibidos no rádio e na TV, são enlatados preparados por marqueteiros eficientes, e os candidatos bonecos que seguem à risca a determinação dos marqueteiros. Quanto aos debates entre os candidatos, o formato brasileiro com base na lei eleitoral, se transformou em meras entrevistas. Houve uma época que os debates eram bem parecidos com os realizados nos Estados Unidos, onde o enfretamento entre os postulantes exige realmente um preparo do candidato.

Não basta o candidato dizer que vai lutar para melhorar a segurança pública. De boa intenção o quintal do inferno está cheio. É preciso mostrar um planejamento eficiente que engloba fiscalização das fronteiras, inteligência, eficiência de gestão, valorização das polícias, estrutura para o trabalho e muito mais, além de, concomitantemente implantar programas sociais, culturais, esportivos, educacionais para preparar uma geração futura longe da bandidagem e dos traficantes. O Estado tem que fazer sua parte, impedido que o crime ocupe os espaços.

A segurança pública está na ordem do dia, isso, evidentemente é muito bom, mas o atual governo está no último ano de mandado, portanto, nossas esperanças devem estar depositadas no futuro presidente, ou seja, está na hora de saber com clareza o que cada um deles tem a dizer sobre o assunto.

Elizeu Gonçalves Muchon – professor e jornalista

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