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“A seleção brasileira e a camisa 10”, por Elizeu Gonçalves Muchon

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Elizeu Gonçalves Muchon - Foto: Divulgação

Muitos países dariam “os dentes da frente” para conquistar ao menos uma copa do mundo de futebol. Por vez, se contentariam com uma colocação acanhada na tabela de classificação. Outros comemoram o fato de participar, mesmo sendo desclassificados na 1ª fase.

E o Brasil? Bom, como se sabe o Brasil nunca ficou fora de uma copa e trouxe a taça cinco vezes.

Mesmo assim, o que se vê é uma seleção longe dos torcedores. É verdade que a Copa América de 2019 deu sinais de uma reaproximação do torcedor com a Seleção.

Passada a Copa América, a Seleção voltou a sua velha e fria rotina, com amistosos realizados contra Seleções fracas e/ou sem tradições, por meio de uma política da CBF que visa encher os cofres de dinheiro e encher o saco do torcedor com partidas insípidas.

É tão impensado e tosco o planejamento de nossa Seleção, que tirou do sério, recentemente o calado Rivaldo. O ex-campeão do mundo é conhecido por não gostar de dar entrevistas ou se manifestar publicamente, todavia, se irritou e falou algumas verdades ao ver a lendária Camisa 10 da Seleção com Paquetá no jogo contra a Argentina. Disse o Rivaldo: “essa camisa não é para ficar no banco de reservas, muito menos para sair no intervalo, pois foi usada e honrada por Pelé, Rivelino, Zico, Rivaldo, Kaká, Ronaldinho e outros craques.”

Pura verdade. É uma declaração que se aproxima muito de duas coisas. A primeira é a semelhança com o pensamento do torcedor. A segunda é que o mundo respeita a Camisa dez do Brasil e a Comissão técnica da Seleção Brasileira desdenha o Símbolo do nosso futebol.

Tratar a camisa dez assim, é o mesmo que esquecer o brilho e a admiração que ela irradiou mundo afora, desde 1.930 até pouco tempo.

O resgate da credibilidade e da reaproximação do torcedor com a seleção, está diretamente ligado ao desempenho e garra dos jogadores dentro de canto. É óbvio que o torcedor clama por bons resultado, mas em primeiro lugar quer ver os jogadores jogando com empenho e determinação. Quer ver uma seleção com um esquema tático ofensivo. Não quer uma seleção recuada e dependente de contra taques.

Chega de amistosos que para nada serve, que só tem o objetivo de encher os cofres da CBF. Ou se tem um planejamento ousado, grande como é nossa seleção, ou vamos nos igualar por baixo. Depois não reclama que o torcedor não liga para a seleção.

Elizeu Gonçalves Muchon – Professor e Jornalista

elizeumuchon@hotamail.com

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