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Artigo: "A Classe do Proletariado", por Aline S. Fernandes

Aline S. Fernandes é licenciada em Historia pela UFMS

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Aline S. Fernandes é licenciada em História pela UFMS - Foto: Divulgação

Autora Aline S. Fernandes

Email: [email protected]

Nova Andradina- Mato Grosso do Sul - Brasil

Professor Doutor: Leandro Baller  

Resumo

O presente artigo tem como objetivo analisar os autores Edward Palmer Thompson, Eric Hobsbawm, Friedrich Engels e Alan Corbin, discutindo e compreendendo e investigando a abrangência do modelo da classe trabalhadora do proletariado na Inglaterra, fazendo uma breve discussão a respeito do proletariado na busca de construir uma sociedade democrática e justa para a classe trabalhadora como as primeiras leis e normas trabalhistas e os fatores sociais, políticos e econômicos, a burguesia e o preconceito com os trabalhadores.

Palavra – Chave: Proletariado; Relógio; Classe de Trabalhadores.

Introdução

No texto tempo e disciplina de trabalho e capitalismo industrial o autor explica sobre a importância do relógio para as fabricas e a classe trabalhadora, como o relógio podia- se computar as horas trabalhadas, a hora que o trabalhador entrou no serviço e a hora que saia, preocupado com as horas extras que poderiam pagar os donos de fabrica colocou relógios na parede, “Estamos preocupados simultaneamente com a percepção do tempo em seu condicionamento tecnológico e com a medição do tempo como meio de exploração da mão de obra” (THOMPSON, 1998 p.289).

.Eles estavam preocupados se teriam que pagas as horas extras a mais para os funcionários além do salario que já pagavam e nessa época já estavam acontecendo alguns rumores sobre essa questão alguns trabalhadores já estavam incitando a população trabalhadora para ter greves e os donos das fabricas com medo que isso acontecesse e surgisse uma greve resolveu pagar o que estava previsto em lei naquela época pois, uma greve iria ser terrível para o seu investimento na fabrica como na primeira revolução industrial os donos das fabricas empresários percebendo o quanto estavam pagando para a população trabalhadora ao qual eles os consideravam os miseráveis deste modo começaram a comprar maquinas diminuindo então a mão de obra assalariada e com as maquinas sua produção aumentaria e só precisaria de ter funcionários qualificados para aprender a mexer com as maquinas como no filme tempos modernos( CHAPLIN, 1936 ) de Charlin Chaplin onde ele trabalhava mais de 10 horas por dia e mal tinha tempo pra se alimentar e se alimentava em pé e produzindo ali percebemos realmente como foi e o cansaço dos trabalhadores e a exploração do seu serviço, Chaplin demonstra essa desvalorização do trabalho de forma tão irreverente e impactante que se torna impossível não acionarmos o nosso senso critico, sendo possível ate mesmo fazermos uma analogia entre a época que esse filme foi produzido e os tempos atuais, pois assim como retratado no filme, as empresas atualmente têm visto seus funcionários como maquinas que podem a qualquer momento aumentar ou diminuir sua velocidade de trabalho, colocando em segundo plano o capital humano, cheio de sonhos, valores, sentimentos e digno de reconhecimento e valorização.

A primeira geração de trabalhadores nas fabricas aprendeu com seus mestres a importância do tempo; a segunda geração formou seus comitês em prol de menos tempo de trabalho no movimento pela jornada de dez horas; a terceira geração fez greves pelas horas extras ou pelo pagamento de um percentual adicional (1,5%) pelas horas trabalhadas fora do expediente eles tinham aceito as categorias de seus empregadores e aprendido a reviver os golpes dentro desses preceitos. Haviam aprendido muito bem a sua lição, a de que tempo é dinheiro ( THOMPSON, 1998 p. 294).

Ou seja, o autor cita a preocupação e o inicio dos sindicatos onde eles brigam por melhor condição de vida para o trabalhador, assim também o autor Engels em uma citação diz: “Cada um explora o próximo, e o resultado é que o forte pisa no fraco e que o numero de fortes, que dizer os capitalistas, se apropriam de tudo, enquanto que ao grande numero de fracos, aos pobres não lhes resta senão a própria vida e nada mais” (ENGELS, 1985 p. 36).

Importante ressaltar que nesta citação percebemos a real preocupação onde os pobres são sempre os escamisados os excluídos, sempre os trabalhadores vitimados assim trabalhavam arduamente para conquista o direito de viver o direito a vida, hoje trabalhamos porque queremos ter alguma coisa ou possuir determinados objetos já os trabalhadores dessa época em questão trabalhavam porque era necessário era uma forma de expressar o proletariado, algo importante a ressaltar é a questão social dos trabalhadores, “as pessoas das classes inferiores eram totalmente degenerados. Os estrangeiros (pregava) consideravam as pessoas comuns de nossas cidades populosas os miseráveis mais dissolutos e depravados na face da terra” (THOMPSON, 1998, p. 289).

Sob esta citação de Thompson podemos perceber como a sociedade via com maus olhos os trabalhadores o proletariado, com descaso o que a sociedade queria era o serviço feito não importava como seria, desse modo o trabalhador era escravo do trabalho no texto de Hobsbam cita a revolução industrial como a revolta dos trabalhadores.

A década de 1780 e pela primeira vez na historia da humanidade, foram retirados os grilhões do poder produtivo das sociedades humanas, que dai em diante se tornaram capazes da multiplicação rápida, constante, e ate o presente ilimitada, de homens, mercadorias e serviços”. A partir da década de 1840 é que o proletariado, rebento das revolução industrial, e o comunismo, que se achava agora ligado aos seus movimentos sociais o espectro do manifesto comunista, abriram caminho pelo continente. (HOBSBAWM, 1789-1848, p. 50)

Com a revolução industrial surge das decisões dos empresários e patrocinadores cada um sendo governado pelo sistema que queriam onde todos são governados pelo primeiro mandamento da época comprar no mercado mais barato e vender no mais caro. Com as fábricas produzindo agora em grande escala, não há mais tempo a ser desperdiçado, a irregularidade característica do sistema de trabalho em domicílio passa a ser considerada até mesmo diabólica pela sociedade industrial em formação. O tempo havia de ser sincronizado às tarefas diárias a fim de gerarem mais produtividade dos funcionários, pois o Juízo Final levará em conta a ociosidade de todos os pecadores, até o rigor aplicado aos estudantes nas escolas era, na realidade, um tipo de criação de um costume para com a disciplina em suas atividades. A máquina era agora o paradigma de produção incessante de insumos e forçava uma administração eficiente do tempo da força de trabalho daquele que a comandava, para assim otimizar seus resultados e produzir mais e mais dinheiro. É o início do capitalismo industrial disciplinado, “pela divisão de trabalho, supervisão do trabalho, multas, sinos e relógios, incentivos em dinheiro, pregações e ensino, supressão das feiras e dos esportes – formaram-se novos hábitos de trabalho, impôs-se uma nova disciplina de tempo” (THOMPSON, 1998 p.297).

A Europa Ocidental, nos anos entre 1300 e 1650 foi marcada por diversas mudanças significativas na sua cultura intelectual. Com o avanço do século XVII, houve uma preocupação entre a relação com o tempo e com o que se fazia com esse tempo, e essa ideia logo foi se expandindo. O autor chega a analisar de que maneira, essa mudança na noção de tempo estava afetando e influenciando os hábitos internos dos trabalhadores, pois se a mudança para a sociedade industrial trouxe consigo uma nova estrutura nos hábitos de trabalho, como tudo isso teria uma relação, e para eles esse relacionamento com o tempo, tinha grande ligação com as tarefas domésticas e a rotina de trabalho, sendo sempre descrita como uma orientação pelas tarefas. E essa relação entre o relógio e as tarefas, não se perdeu totalmente, persistindo em alguns lugares até os dias de hoje, sendo mais compreensível do que o trabalho de horário marcado, também é comum não haver separação entre o trabalho e a vida, onde essas relações sociais se misturam para o camponês ou artesão. Mesmo que este seja um pequeno agricultor, ainda assim existirá a divisão do trabalho, nesse caso o tempo já está começando a se transformar em dinheiro.

O grande fazendeiro, que é o empregador, a partir do momento em que contrata mão de obra, nos leva a observar que o tempo pela orientação de tarefas dá lugar ao trabalho por horário marcado, medindo-se o trabalho em dias, pois tempo é dinheiro.

Com o passar do tempo os relógios foram sendo aperfeiçoados, e passou a ter um simbolismo de status entre a gentry, os comerciantes, fazendeiros e mestres, talvez por sua complexidade no formato e a preferência pelo metal, nas fabricas eram mais urgente a procura pelo trabalho do proletariado e a busca eram pelos mais dóceis como as mulheres e crianças porque era mais fácil de controlar e impor e assim também era uma mão de obra mais barata, desse modo no engenho de algodão a maioria era mulheres e meninas e o restante só, que eram homens, logo depois de perceberem aonde iriam ganhar mais eles entenderam também e iniciaram o subcontrato aonde fazia dos empregados os que se destacavam entre os outros como empregadores de ajudantes sem experiência desse modo ele passava a experiência que ele tinha para o sem experiência, era uma relação de troca do patrão que pagava um pouco a mais ao empregado que mais experiência e qualificação tinha para ele poder ensinar o sem experiência e desse modo vira um ciclo vicioso onde o auxiliar era ensinado e supervisionado no serviço que prestava, “O sub empregador, é claro, tinha um incentivo financeiro direto para que seus auxiliares contratados não se distraíssem” (HOBSBAWM, 1789- 1848 p. 80).

Deste modo segundo Thompson (1998, p.290), tinha esse pensamento quando disse que os donos das fabricas começou a colocar um fiscal, ou seja, fiscalizava tanto os funcionários na produção quanto ao horário que entrava e saia do seu serviço no caso como Hobsbawm fala um sub empregador, dessa maneira temos uma classe trabalhadora que foi rejeitada pela sociedade e ate mesmo expulsa dos grandes centros, por isso temos hoje em dia tanta favela porque de tal modo como os negros quando foram abolidos da escravidão e não tinham pra onde ir e subiram para os morros e fizeram barracões e tem lugares por lá que exalam odor de mau cheiro porque não tinham latrinas e banheiros, então quando chegavam por lá nos morros sentia o odor, “Seria então artificial dissociar a insistência no que diz respeito ao fedor do pobre, por um lado, e, por outro, á vontade burguesa de desodorização” (CORBIN, 1987, P.185-186)

Também tínhamos na Inglaterra do mesmo modo sendo igualmente o trabalhador que trabalha de sol a sol também exala um suor esse odor era de um trabalhador pobre que precisa trabalhar para conseguir o seu sustento e com isso era tão discriminado pela burguesia tanto naquela época como ate nos dias de hoje.

Corbin (CORBIN, 1987) dizia que o pobre porque era trabalhador ele era pobre e transpirava a todo o momento pois com o suor do rosto dele era que ele tinha o ganho do seu sustento e poderia sustentar sua família e os burgueses se incomodavam com o odor que eles exalavam mas, mesmo assim não deixavam de precisar do trabalho e mão de obra dos pobres como eles assim chamavam a classe trabalhadora, “O catador concentra os odores da miséria e se impregna neles; seu fedor passa a ter o valor de símbolo” ( CORBIN, 1987, p. 188)

Esse exemplo que ele nos traz acima citado é o exemplo do catador de lixo que vaga pelas ruas em busca de recolher nossos lixos e isso ate impregnam na pele deles e com isso os burgueses daquela época se incomodavam com o mau cheiro deles, pois, somente que podia comprar um perfume eram eles os trabalhadores eram visto como miseráveis moravam mal, se alimentavam pior ainda e se vestiam mal e não tinha dinheiro para poder exalar um bom aroma e cheiro, e dessa forma quando se sentia um mau cheiro próximo os burgueses já detectavam que eram os trabalhadores que estavam por perto trabalhando e já se afastavam, pois, não conseguiam mais ficar perto e pensar ao mesmo tempo, se nos tempos de hoje agua e sabão não fazem mal a ninguém e usamos com frequência imagina-se naquela época em que a situação era tão escassa que não tomavam banho e todos os dias tinham que ir trabalhar como podemos observar os negros escravos vivendo dentro das senzalas onde não tomavam banho todos os dias e quando ia tomar banho eram dentro dos rios próximos das fazendas em que trabalhavam por isso esses negros não podiam trabalhar e nem chegar perto da casa grande.

1  Licenciada em História pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul/ CPNA.

2 Bacharel e Licenciado; Graduado em História pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná - Unioeste (2004), mestre em História, pela Universidade Federal da Grande Dourados - UFGD - MS (2008), doutor em História na UFGD - MS (2014), com desenvolvimento de pesquisa no exterior na Universidad Nacional de Asunción PY - UNA (2013-2014), pelo PDSE/ CAPES. Tem experiência na área de História, com ênfase em Teoria da História, Ensino de História, e História Cultural; atuando principalmente nos seguintes temas: fronteiras, identidade, sociedade, trabalho, representações, cultura e gênero na contemporaneidade. Ex-Bolsista da Capes. Atualmente é Professor Adjunto do Curso de História da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - UFMS; e Coordenador do Curso quando houve o Reconhecimento do Curso em 2010 pelo INEP/ MEC.

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