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Artigo: “A luta mulheres pela emancipação social na Revolução Russa”, por Michele Campina da Silva

Michele Campina da Silva é licenciada no curso de licenciatura plena em História da UFMS de Nova Andradina.

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Michele Campina da Silva é formada em História - Foto: Divulgação

O objetivo desse artigo e propor uma breve discussão acerca das transformações ocorridas no livro Mulher, Estado e revolução: Política da família Soviética e da vida social, Wendy Goldman 1917 a 1936. Portanto podemos dizer que as`` mulheres são alçadas à condição de objeto e sujeito da história``. (Soihet, p.263).

A história das mulheres na Revolução Russa é algo fascinante de ser trabalhado e discutido, pois é uma temática que trata da luta pela emancipação da mulher ao extenso desenvolvimento da Revolução Russa de certa forma polemica, trazendo consigo uma trajetória de 19 anos de revolução que vai desde os meados dos 1917 a 1936, a autora Wendy Goldman procurou demonstrar o papel da mulher a condição feminina e a luta pela emancipação libertando a mulher das correntes que a prendem “ao lar” e possibilitando o primeiro passo à independência do trabalho assalariado.

Outro fator existente é a participação das mulheres nos acontecimentos históricos. ``Como se a História nos contasse apenas dos homens e de suas façanhas, era somente marginalmente que as narrativas históricas sugeriam a presença das mulheres, ou a existência de um universo feminino expressivo e empolgante``. (Rago, 1987, p. 81).

Pode se afirmar que o debate acerca da luta feminista pela emancipação das mulheres ampliou as principais discussões teóricas com o processo revolucionário e os estudos do marxismo , Wendy Goldman afirma que a luta de emancipação das mulheres precisariam dar início antes da revolução ,para a autora esse remato poderia abolir de um extenso processo que não se reduz à ‘’tomada do poder ’’ para ela e algo fascinante e que mostra sua diversidade em seu debate histórico. Nessa perspectiva a autora conclui daí:

O capitalismo de acordo com os bolcheviques, jamais seria capaz de fornecer uma solução sistemática para dupla carga que as mulheres carregavam. (...) Só assim as mulheres se veriam livres para ingressar na esfera pública em condições de igualdade com os homens, desvencilhadas das tarefas de casa. A mulher seria educadas e pagas igualitariamente, e seriam capazes de buscar seu próprio desenvolvimento e seus objetivos pessoais. (...)A união livre substituiria gradualmente o casamento à medida que o Estado deixasse de interferir na união entre os sexos. Os pais, independentemente do seu estado civil, tomaria conta de seus filhos com a ajuda do Estado; o próprio conceito de ilegitimidade se tornaria obsoleto. A família arrancada de suas funções sociais definharia gradualmente, deixando em seu lugar indivíduos completamente autônomos e iguais, livres para escolher seus parceiros com base no amor e respeito mútuo. (Goldman, 2014 ,p. 21). 

 Segundo a autora a definição de que a Revolução Russa trouxe a partir dos avanços por parte da luta das mulheres em relação à legalização do aborto e o direito do divórcio parte de uma prerrogativa aos avanços do conjunto da revolução diante disso a autora percebe que a emancipação das mulheres em relação ao divórcio se tornaria difícil por consequência da guerra civil ao qual o imperialismo alocavam as dificuldades totalmente econômicas que a Rússia teria com relação às mulheres divorciadas. Esta visão faz com que as mulheres se pressintam coagidas e desamparadas retrocedendo ao seus antigos lares a autora conclui que:

Desprovida de embelezamento, a visão bolchevique era baseada, portanto em quatro preceitos: união livre, emancipação das mulheres através do trabalho assalariado, socialização do trabalho doméstico e definhamento da família. Cada um tinha sua própria história, embora ele se juntasse em diferentes momentos ao longo do tempo (...) a união livre e a emancipação das mulheres se entrelaçavam as demandas pela socialização do trabalho doméstico e pelo definhamento da família, todas amparadas em uma maior ênfase do estado como fonte primaria de bem-estar social. (Goldman, 2014, p. 31)

Esta visão faz com que se exclua a realidade da mulher com a liberdade de emancipação

‘’Uma vez que havia expectativa generalizada de que a família iria definhar a questão de como organizar o trabalho doméstico provocou extensa discussão. Lenin falou e escreveu repetidas vezes sobre a necessidade de socializar o trabalho doméstico, descrevendo-o como ‘o mais improdutivo, o mais selvagem e o mais árduo trabalho que a mulher pode fazer’. Sem poupar adjetivos duros, escreveu que o trabalho doméstico banal ‘esmaga’ e ‘degrada’ a mulher, ‘a amarra à cozinha e ao berçário’ onde ‘ela desperdiça seu trabalho em uma azáfama barbaramente improdutiva, banal, torturante e atrofiante’. Lenin obviamente desprezava o trabalho doméstico. Argumentava que ‘a verdadeira emancipação das mulheres’ deve incluir não somente igualdade legal, mas também ‘a transformação integral’ do trabalho doméstico em trabalho socializado. ”(Goldman,2014, p.)

Outro fator existente foram os avanços da constituição para as mulheres, a autora menciona a partir de 1921,as grandes demissões em massa e cortes intensos nos serviços sociais. Em consequência disso mais de 280 mil mulheres teriam abandonado a força de trabalho nesse tempo.

O papel da mulher soviética foi amplo, em todos os setores. A mulher soviética estava proporcionalmente muito mais implantada no mercado de trabalho do que as mulheres dos países capitalistas. Mas durante a guerra, essa inclusão foi ainda maior. Durante o empenho de guerra, elas ultrapassaram o número de homens que trabalhavam nas fábricas e na zona rural.

A URSS foi de longe o país que mais usou suas mulheres na guerra, os soviéticos não se restringiram em usa-las nas fabricas, nos setores administrativos e até mesmo nas forças armadas. Diante dos fatos ocorridos as mulheres soviéticas combatentes tinham ainda uma característica comum: elas não abriam mão da sua feminilidade ao se alistarem. Mesmo em seus uniformes masculinizados e totalmente grandes demais para sua estrutura física, passando a enfrentar as severidades de um inverno ou as escassezes de um acampamento ao qual se misturavam com os soldados homens, elas sempre achavam um jeito de serem limpas e apresentáveis.

É relevante destacar alguns pontos na trajetória do papel dessas mulheres na guerra. Diante de tal afirmação sobre o papel que a mulher teve na guerra, Rago diz que:’’ O impacto da presença feminina’’ na história ‘’aparece no questionamento de uma história centrada no conceito de homem enquanto sujeito universal, mostrando as fragmentações pelo sexo. ’’( Rago, 1987,p.84-85). No que foi descrito nesse artigo compreendemos uma ruptura violenta sobre a emancipação social na vida das mulheres em relação à Revolução Russa. Tal artigo procurou levantar alguns pontos importantes através das lutas das mulheres com a emancipação e seus direitos. Essas lutas fizeram com que possibilidade de reflexão, para nós, ancora-se em três linhas articuladas, estabelecido pela autora da obra no decorrer do livro. Em primeiro lugar, a linha do trabalho, divisão sexual do trabalho e trabalho doméstico. Posteriormente, a linha do casamento, divórcio e pensão. Finalmente, a linha de análise a respeito de ideia socializada, e o aborto. Dois documentos, em específico, baseiam na análise da autora. O Código da Família de 1918, reformulado e aceito em 1927, e o Código da Terra de 1922. Portanto e através desta compreensão que Goldman enfoca nas mulheres e nas analogia que constituíram com o Estado revolucionário. Ponderando a estrutura familiar, a sexualidade, o casamento e o divórcio na URSS, ao qual a obra explora o quanto as mulheres contestaram às tentativas bolcheviques de redefinição da criação familiar. “Não é o trabalho feminino em si que rebaixa os salários ao entrar em competição com o trabalho masculino, mas a exploração do trabalho feminino pelos capitalistas que dele se apropriam” (Clara Zetkin, em seu discurso no Congresso de Fundação da Segunda Internacional em 1889, apud GOLDMAN, 2014, p. 62). Na forma como aparece no livro, Goldman afirmar que o primeiro experimento com o “amor livre” e a emancipação das mulheres falhou.

REFERÊNCIAS:

GOLDMAN, Wendy (2014). Mulher, Estado e Revolução. São Paulo: Editoras Iskra e Boi tempo

MELLO, Ana Claudia de Rezende Costa Dutra e. As mulheres na Segunda Guerra Mundial: uma breve análise sobre as combatentes soviéticas. Revista Brasileira de História Militar, Ano III, n. 09, 2012. Disponível em: http://www.historiamilitar.com.br/artigo5RBHM9.pdf, acesso em: 25 jul. 2017.

RAGO, Margareth. As mulheres na historiografia brasileira. In: SILVA, Zélia Lopes da (org.). Cultura histórica em debate. São Paulo: UNESP, 1995.

SOIHET, Rachel. Condição Feminina e Formas de Violência. Mulheres Pobres e Ordem Urbana (1890-1920). Rio de Janeiro, Forense Universitária, 1989. 

Michele Campina da Silva é Licenciada no Curso de Licenciatura Plena em História da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, no Campus de Nova Andradina. 

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