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Artigo: “Filosofia: Pra que serve”, por Eduardo Martins

Eduardo Martins é professor de história da UFMS no campus de Nova Andradina

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Professor Eduardo Martins - Foto: Divulgação

Não raramente o intelectual do campo do saber da filosofia é interpelado com um olhar de soslaio, enviezado num raio de ceticismo, desconfiança e banalidade. Isso decorre em boa parte de uma certa visão de mundo ortodoxa, dogmática e pretensamente natural forjados no fogo da cultura dita científica. Assim, as pessoas enxergam as ciências exatas e da natureza como as únicas maneiras de encarar um problema ou uma questão de ordem prática e de resolver as situações que permeiam o mundo social e dar soluções pragmáticas a elas. Então, tais pessoas olham com misticismo o saber filosófico procurando encontrar nele a sua utilidade, aqui no sentido prático da palavra; ser útil é ter uma finalidade que me sirva no aqui-agora, útil seria o que me ajudaria a viver confortável e materialmente bem; um conforto ligado ao prazer, a sensação de alegria. Nesse aspecto a utilidade da filosofia é vã, esse saber não é útil, pelo menos nesse nesse tipo de utilidade imediatista, rápido e prazeroso. À filosofia cumpre o papel de ser âncora da ciência, cabe a ela dar subsídios as perguntas que a ciência não é capaz de solucionar teoricamente, isso porque, sua função é teleológica, reflexiva e isso significa que além do tempo ela requer o espaço para responder às questões atinentes a vida prática e a ciência.

É preciso dizer que as questões de métodos, teorias, epistemologias, tão fundamentais, para toda e qualquer ciência é de domínio da filosofia. Inicialmente, para se fazer ciência é necessário conhecer e distinguir o método dedutivo do indutivo, saber quais teorias são melhores para interpretação dos dados, aferir justamente o empirismo, tudo isso não é a ciência na sua práxis que responderá; é a filosofia.

Portanto, o que fundamenta as engenharias, a medicina, o direito, mais também as linguagens e as ciências da natureza, no fundo, são as reflexões que tais ciências fazem de si e para si mesmas, ainda que trancafiadas solitariamente em seus departamentos. Sabemos que a sociedade se move em razão das engenharias, ordenamento jurídico, medicinas em geral, farmacologia, enfim, dos ramos do saber prático ou das ciência como dizem o senso comum.

Para tudo isso a filosofia, tem muito a contribuir com a ciência, que está repleta de questões conceituais, interpretativas, metodológicas e de ética.

Eduardo Martins é professor de história da UFMS no campus de Nova Andradina

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