Buscar

“Brasil – Único país do mundo com nome de árvore”, por Elizeu Gonçalves Muchon

Cb image default
Elizeu Gonçalves Muchon - Foto: Divulgação

O recente embate entre o Presidente da República Jair Bolsonaro e o Presidente do INEP Rodrigo Magnus, sobre o desmatamento em nosso país, coloca o debate ambiental na ordem do dia. Para Bolsonaro o INEP está a serviço de ONGs estrangeiras e divulga números mentirosos. Para Rodrigo Magnus, Bolsonaro parece um menino de 14 anos ao dar pitacos em assuntos técnicos sobre os quais não entende.

Há um velho ditado que diz: “Na casa que não tem pão, todo mundo reclama e ninguém tem razão.” Talvez não se aplique ao caso em testilha. De qualquer forma, pode, embora pareça inusitado, haver razão de ambos. Por exemplo, é realmente verdade quando Bolsonaro tem repetido como um mantra a expressão “psicose ambientalista” contra o Brasil, ao responder a declaração de Ângela Merkel – Chanceler Alemã – e Emmanuel Macron – Presidente Frances, que esculhambaram o Brasil ao se referir ao avanço no desmatamento de nossas florestas.

O sentimento é de que os dois líderes, além do Presidente dos Estados Unidos Donald Trump e outros, é de que eles querem impor aos outros o que não fazem. Por aquelas bandas, “uma moita é uma mata”. Os Americanos, ao se referirem ao Brasil, dizem com ironia: “Fazenda aqui e floresta lá”. Ou seja, depois de desmatarem o país e matarem seus índios, querem impor regras ao Brasil.

No entanto, Bolsonaro peca ao criticar os órgãos técnicos do Brasil, deveria se aliar a eles e implantar políticas públicas, ao inexorável determinismo das leis que regem a natureza, conciliando com os interesses do agronegócio, mas ao mesmo tempo com o desenvolvimento sustentável. Tanto é que a Embrapa, entende que não é necessário derrubar uma só árvore para expandir a fronteira agrícola. Constam dos dados atualizados da Embrapa que 66,3% de nossa vegetação é nativa e que apenas 33,7% são usados para produção, incluindo agricultura e pecuária. A própria ONU em dados recentes, afirma que o Brasil é o país que mais preserva.

Isso, no entanto, não significa que não estamos desmatando, claro que estamos e em velocidade assustadora. É absolutamente necessário levar em conta os dados do INEP e com isso, buscar alternativas científicas para uma solução razoável.

O Brasil – único País do mundo com o nome de árvore, é a maior potência megabiodiversa do mundo, (possui 70% das espécies presente no planeta). Água doce, solo fértil, luz solar, reservas minerais. Possui todos os elementos para ser líder mundial em desenvolvimento sustentável, mas não é com desentendimento entre a área política e a área técnica que esse padrão de excelência irá ser atingido. Está faltando consciência, está faltando ciência e tecnologia e uma boa dose de sensatez por parte dos dirigentes, para diminuir a tenção nessa linha tênue que separa a necessidade de produzir e a necessidade de cuidar do meio ambiente. Por derradeiro, é bom saber que a luz amarela já acendeu, pois, essa semana uma agência Britânica publicou estudos demonstrando que a próxima década será a mais quente de todos os tempos. O mundo precisa fazer alguma coisa, inclusive o Brasil.

Elizeu Gonçalves Muchon – Professor e Jornalista.

elizeumuchon@hotmail.com

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.