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“Começa pra valer a procura pelo voto”, por Elizeu Gonçalves Muchon

Elizeu Gonçalves Muchon é professor e jornalista

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Elizeu Gonçalves Muchon - Foto: Divulgação

Passei boa parte do dia 04 de agosto (sábado), na Capital – Campo Grande. No início da manhã visitei o local da convenção estadual do MDB. Notei um clima de orfandade com a ausência do líder supremo da legenda, ex-governador André, que não compareceu por estar preso. Por outro lado, a senadora Simone Tebet foi aclamada como candidata a governadora e o procurador de Justiça, Sérgio Harfouche, como vice. Ele abriu mão de ser candidato a governador pelo PSC, para ser vice de Simone, com uma declaração no mínimo curiosa: “disse que o único elo que tem com o MDB é a própria Simone, e que as negociações foram de legendas e não de valores”. O MDB aglutinou seis partidos em sua aliança.

Pouco mais tarde rumei para convenção do PSDB. O atual governador Reinaldo, foi aclamado como candidato a reeleição, em um arco de alianças com onze partidos, tendo como vice o ex-prefeito de Dourados Murilo Zauith. No discurso, Reinaldo estava sereno, fez um balanço de seus três anos e meio da gestão atual e afirmou que até agora cumpriu integralmente 76% de seu programa de governo.

Conversei com diversos candidatos, com prefeitos e vereadores do interior, com colegas jornalistas, articulistas, blogueiros e simpatizantes deste ou daquele candidato. Efetivamente o clima de copa do mundo deu lugar ao clima das eleições. Sobretudo entre aqueles que gravitam o poder, até porque a população ainda está alheia ao clima eleitoral. Segundo declarações do diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino, o índice de votos brancos e nulos no momento é superior a 30%. Esse alto índice de eleitores sem candidatos eleva a chance de reviravoltas. As mudanças são possíveis, especialmente a partir do horário eleitoral no rádio e TV. De qualquer forma, com as convenções, esquenta a disputa e “começa pra valer a procura pelo voto”.

O que notei nesse ambiente de convenções, sobretudo em conversas com pessoas especializadas em política, foi certa preocupação com as dificuldades por parte dos partidos, tanto no Estado (MS), como no contexto nacional, em montar as chapas, principalmente na escolha dos vices. O candidato Odilon de Oliveira PDT escolheu o empresário Herbert Assunção como vice, trocou pela radialista Keliane Fernandes do PROS, e acabou trocando novamente pelo bispo Marcos Vitor, PRB, de Dourados. Boa parte dos jornalistas com quem conversei, asseveram que não foi bem Odilon quem fez as trocas de vice e sim a cúpula do PDT que é quem dá as cartas e toma as decisões. No MDB e no PSDB, os vices foram definidos aos 45 minutos do segundo tempo. Ou seja, as escolhas dos vices aqui no MS, assim como nas eleições para presidente, faz lembrar o tempo em que as noivas conheciam seus noivos apenas no dia do casamento. Algo arranjado, sem afinidade ideológica ou qualquer coisa que possa dar certo. Em 25/07/17, escrevi um texto de opinião aqui no Nova News “Preste Atenção no Vice”.( Vale apena você ler). Essa dificuldade em compor chapas, nos faz lembrar a reflexão: “A parte mais difícil de uma gestão não é fazer obras ou gerir bens. É promover uma harmonia entre todos que gravitam em volta do poder”.

Dia 16 de agosto a legislação eleitoral autoriza o início das propagandas, todavia, a campanha já começou, espera-se que desta vez não votemos naqueles candidatos mais hábeis na arte de embrulhar a ilusão num belo pacote que faz parecer aquilo que não é. Mas em quem possa realmente atrapalhar menos esse país gigante pela própria natureza.

Elizeu Gonçalves Muchon – Professor e Jornalista

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