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“Como o cara vai viver com 24 mil reais por mês?” por Elizeu Gonçalves Muchon

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Elizeu Gonçalves Muchon - Foto: Divulgação

Um Procurador da Justiça de Minas Gerais, de nome Leonardo Azevedo dos Santos, cravou, com certa veemência a seguinte pergunta: “Como o cara vai viver com 24 mil reais por mês?”

A pergunta foi feita em uma reunião dos Procurados, quando ele ficou sabendo que os cortes no Orçamento de Minas Gerais, não irá permitir aumento de salário ao pobre rapaz em 2020.

De imediato, a imprensa livre acessou o sait de transparência e constatou que o salário bruto do Doutor é de 35.462,50. Mas que nos sete primeiros meses de 2019 ele recebeu 477.927,39, entre salários, indenizações, retroativos e penduricalhos. Ou seja, mais de 68 mil reais por mês.

Não quero entrar no mérito do Procurador. Todavia, com a devida vênia, reverbero sua pergunta direcionando a outros cidadãos. “Como o cara vai viver com 998 reais por mês?”

Um assunto puxa o outro e num piscar de olhos verificamos que cada um ao longo da vida, pavimenta seu próprio futuro no contexto capitalista em que vivemos, onde a meritocracia deve ser levada muito em conta, porém, algumas coisas ultrapassam os limites da tolerância.

Pois vejamos. O Senado Federal, Câmara alta de nosso Congresso, casa legislativa mais privilegiada de todas, com mandatos de oito anos, onde se bebe na fonte dos privilégios e se usufrui de uma elite imensurável, um galardão para poucos, coisas acontecem que deixa qualquer um de cabelo em pé. Ali, exatamente nesse momento está se discutindo a reforma da previdência.

Vai bulir com a vida de todos. Especialmente com o cara dos 998 por mês, ou mil, ou 5 mil ou 7 mil. A base larga da pirâmide social que levanta cedo, dorme tarde, come asa de frango, toma suco de saquinho, fuma cigarro do Paraguai, come literalmente o pão que o diabo amassou.

Não tenho procuração dessa classe social para manifestar a ingratidão do Congresso, mas ainda assim pronuncio, (inspirado no pobre Procurador), a seguintes perguntas: Como viver o bastante para se aposentar? Como viver com a miséria que estão propondo para as aposentadorias futuras?

Talvez seja adequado lembrar o trecho da música do grande Zé Ramalho:

Êh, ô, ô vida de gado

Povo marcado

Êh, povo feliz.

O Congresso “renovado”, mais parece com pão dormido. A aparente eloquência dos debates naquela casa, leva em conta as exceções e despreza as regras, despreza a grande maioria da população. Maioria essa, que não solta a voz, que deixa rolar, para a alegria de poucos, que decidem como querem o destino de muitos. É o deleite dos ingratos em detrimento do povo sofrido e calado.

Elizeu Gonçalves Muchon – Professore e Jornalista

elizeumuchon@hotmail.com

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