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“Conspiração absurda”, por Elizeu Gonçalves Muchon

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Elizeu Gonçalves Muchon - Foto: Divulgação

Quem gravita o ambiente político sabe que a conspiração vive ali, oculta, adormecida, mas ali, como o ar que se respira. Um episódio recente mostra esse real perigo. O atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre, em uma reunião preparatória para a eleição da mesa, a qual ele presidia sob protestos, ficou nove horas sentado sem ir ao banheiro fazer xixi, para não perder o assento.

Esse cômico exemplo, mostra que na política prevalece o “venha a nós”, quanto ao “vosso reino”, bom, isso fica pra depois.

O Presidente Bolsonaro que assumiu o poder de forma muito positiva, promovendo otimismo e esperança, acabou tendo que se afastar de Brasília. Primeiro para Davos, depois para o hospital para se curar das sequelas de um covarde atentado que sofreu.

Seja como for, está afastado de Brasília. É o bastante para começar a surgir boatos de que seu vice, General Mourão, estaria conspirando para minar a popularidade de Bolsonaro.

Seria coisa da oposição? Seria falta de assunto para alguns órgãos da imprensa? Ou trata-se de uma espécie de fogo amigo?

O que se sabe é que Mourão já manifestou divergências de Bolsonaro. Nada, porém comprometedor. Nada que não esteja dentro do direito individual de pensar e falar com respeito e propriedade. Todavia tem soado (para alguns), como uma forma de marcar território político e isso, tem despertado ciúmes nos filhos do Presidente.

Mourão não foi eleito Presidente. É o vice, e poderia não ter sido se Magno Malta tivesse aceitado o convite. Ocorre que a Constituição Brasileira reserva ao vice um papel secundário, embora sendo o primeiro na linha sucessória. Contudo, mourão é um homem de serenidade e bom senso. Justamente essa serenidade e seu bom relacionamento com a imprensa, ao contrário do clã Bolsonaro, é que tem suscitado certas comparações, em momentos de ausência do Presidente, que eventualmente tem provocado uma sensação de vácuo. Alguns analistas entendem que Bolsonaro deveria ter deixado o vice assumir nesse período que está no Hospital.

Tenho a convicção que isso não quer dizer fissura no governo, mas um espaço para começar intrigas e chicanas no centro do poder. Resta esperar que Bolsonaro volte logo com vitalidade e saúde para retomar o Governo, até porque, é inegável que a coisa deu uma parada, e nesse meio tempo o Congresso Nacional inicia suas atividades com relativo tumulto, especialmente no Senado, sem que tenha alguém do Governo para liderar as discussões, inclusive, porque os próprios apoiadores do Presidente rechaçaram o Líder do Governo na Câmara, escolhido pelo próprio Presidente.

Esse ambiente, parece um jogo de futebol em que o“sagueiro” que marca o centroavante de longe, dando espaço para se movimentar. Ou seja, o time do Governo tem que fazer marcação serrada, sem dar espaço para ilações e permitindo a estruturação do oponente, correndo sério risco de não obter maioria absoluta no Congresso. Quanto a tal conspiração, para mim não passa de conversa mole, mas uma coisa é certa, com o Presidente hospitalizado, o Governo está a esmo, sem um líder, tudo está parado, talvez fosse o caso de confiar no vice e deixar assumir até a saúde do presidente ser recuperada.

Elizeu Gonçalves Muchon – Professor e Jornalista.

elizeumuchon@hotmail.com

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