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“Creio que os brasileiros não abrirão mão da democracia” por Elizeu Gonçalves Muchon

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Elizeu Gonçalves Muchon - Foto: Divulgação

Disse Carlos Bolsonaro, filho do Presidente: “ A transformação que o Brasil quer não acontecerá na velocidade almejada pelas vias democráticas”.

Para um bom entendedor, meia palavra basta. Esse tipo de declaração de alguém tão perto do poder, pode gerar uma confusão gigantesca, porque, muito custou ao Brasil retomar a Democracia. Portanto, “creio que os brasileiros não abrirão mão da democracia”.

O próprio Presidente Bolsonaro se elegeu por vias democráticas. Acredito, inclusive, que o Presidente não comunga com a frase do filho falastrão e que, não faria qualquer movimento contra a democracia, porém, algo assim, vindo dos porões do palácio, gera um profundo mal-estar e promove mobilização e motivação para movimentos de rua em favor da democracia. Ciro Gomes, por exemplo, já mandou avisar que se as coisas descambarem por este lado a ruas vão pegar fogo.

Esse tipo de comportamento mostra a fragilidade do Governo e que ele se espanta com o fantasma errado.

O verdadeiro fantasma, com o qual o Governo tem que se preocupar é com a economia do país que não reage. Paulo Guedes, o grande Posto Ipiranga, homem tido como coluna de sustentação do Governo, até agora está perdendo de goleada para Henrique Meireles, que no conturbado Governo Temer conseguiu avanços mais significativos.

O Fantasma da economia fez, por exemplo, virar fumaça o Secretário especial da Receita Federal, Marcos Cintra, que no bojo da discussão da reforma Tributária em elaboração, quis ressuscitar a CPMF. Sabiamente Bolsonaro mandou demiti-lo.

Mas a ideia continua martelando a cabeça de Guedes, que não desistiu de criar um novo imposto. O nome não importa, só não pode ser algo estigmatizado como CPMF, reverbera o Ministro fora dos microfones. Ou seja, um novo imposto, não obstante, há poucos meses atrás ele dizia e clamava pela a aprovação da reforma da Previdência, pois assim não precisava criar novos impostos. Tudo Mentira, pois a Reforma da Previdência vai arrancar o coro das costas do povo pobre e mesmo assim novos tributos devem estar por vir. Por consequência o desemprego continua.

Tiradentes deve estar se retorcendo em seu túmulo, ele foi esquartejado porque protestou contra o “quinto”, ou seja, uma tributação de 20%. Hoje, 20% seria um balsamo.

O normal, seria o Governo e todos que o rodeia estarem clamando pela união da população, pelo fortalecimento da democracia, mas eis que surgem declarações totalmente venenosas como a aqui citada.

Elizeu Gonçalves Muchon – Professor e Jornalista

elizeumuchon@hotmail.com

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