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“Educação sem rumo”, Elizeu Gonçalves Muchon

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Elizeu Gonçalves Muchon - Foto: Divulgação

Em se tratando do Ministério da Educação, o Governo escreve torto em linhas retas.

Indicado por um tal Olavo de Carvalho, o agora ex-Ministro Vélez Rodrigues esquentou a cadeira por três meses. Não conseguiu montar uma equipe, não apresentou um projeto, fez trapalhadas e deixou suas digitais na paralisia total na já combalida educação brasileira.

Me causa surpresa, até indignação, ao ver o MEC sendo ocupado por um Ministro sem nenhuma experiência. O que saiu não tinha experiência e o que entrou (Abraham Weintraub) também não tem.

Há pouco tempo procurávamos pela luz no fundo do túnel. Hoje, estamos procurando pelo túnel. É uma típica situação que pede um Ministro com conhecimento técnico e conhecimento de gestão. Alguém que possa ter o comedimento e sabedoria para se cercar de uma equipe muito competente, na busca desesperada de colocar em prática a Base Curricular, estabelecer parâmetros que ajudem minimamente a trazer equidade à educação brasileira. É preciso urgentemente traduzir as Diretrizes em Currículos escolares e coordenar com muita eficiência o ensino em nosso país.

A calamidade gravita em todos os níveis de ensino. O Ensino básico, talvez com raras exceções no ensino infantil, depara com um grande gargalo nas séries iniciais do Ensino Fundamental. São milhares de crianças que não são alfabetizadas na série adequada, na idade adequada. Não é exagero dizer que muitas crianças no quarto e até quinto ano ainda não foram alfabetizadas, não dominam as quatro operações matemáticas. Assim, o problema se arrasta para as séries finais do Ensino Fundamental, em razão, entre outras coisas de um sistema de avaliação tacanho.

Já o Ensino Médio, fase final do Ensino Básico, tem pela frente o desafio para implantar a reforma feita pelo ex-Presidente Temer.

O reflexo da má gestão da Educação brasileira, aparece com muita clareza nas avaliações internacionais que coloca o Brasil entre os piores. Outro exemplo contundente são as redações do ENEM, com números aviltantes de notas “zero”.

Não é diferente com os Cursos Universitários, que via de regra tem colocado no mercado profissionais abaixo da média esperada.

Por outro lado, qualquer pessoa sabe que um país só consegue melhorar a vida de seu povo, consolidar uma melhorar distribuição de renda, ser, enfim uma potência econômica se investir pesado em “Educação, Ciência e Tecnologia.”

Cerca de 6% do PIB é gasto com educação. Entretanto, os professores são mal remunerados, os cursos de formação não atendem minimamente as necessidades exigidas por uma sociedade que está, ou deveria estar sintonizada com uma economia globalizada, que por sua vez exige um comportamento profissional em sintonia com o país e com o mundo.

É tão grave a situação, que apenas 2,4% dos jovens brasileiros querem ser professores.

Não é meu objetivo, aqui, apontar erros e propor soluções, mas registrar que o Ministério da Educação, o mais importante de todos, não moveu uma palha, até o momento, para enfrentar a maior crise educacional da história do Brasil.

O semipresidente Bolsonaro pode ter acertado na escolha de alguns Ministro, mas no caso da Educação é lamentável a inércia e a falta de compromisso. Era de se esperar, pois no período eleitoral, poucos os presidenciáveis tinham uma proposta clara para educação.

Elizeu Gonçalves Muchon – Professor e Jornalista

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