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“Era uma vez uma aposentadoria”, por Elizeu Gonçalves Muchon

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Elizeu Gonçalves Muchon - Foto: Divulgação

O Estado Brasileiro, como se sabe, está quebrado. A dívida pública do Brasil pode chegar à 4,3 trilhões em 2019.

Também, como se sabe, a dívida pública é contraída pelo Tesouro Nacional para financiar o déficit orçamentário do Governo, ou seja, para pagar as despesas que ficam acima da arrecadação com impostos. Há anos o Brasil não produz superávit primário, ao contrário, só produz déficit primeiro, que em outras palavras é gastar mais do que se arrecado.

Para pagar essa conta e equilibrar as contas do Governo, alguma coisa tem que ser feita. Como por exemplo gastar menos. Criar empregos para girar a economia, estancar a corrupção e diversas outras ações para fazer sobrar dinheiro e gerar crescimento efetivo.

Entretanto, o jeito mais fácil seria criar mais impostos, ou aprovar uma reforma da previdência extremamente dura, praticamente acabando com o sonho de um dia, o cidadão usufruir de décadas e décadas de uma contribuição que virou fumaça.

No início dos debates sobre a reforma, muitos Deputados disseram que a previdência necessitava sim de alguns ajustes, mas que não votariam a proposta do Governo, pois ela era muito agressiva, muito cruel com os mais pobres, muito cruel com os que já contribuíram décadas e ainda não se aposentaram, pois, a regra de transição mais suave entre as aprovadas, será trabalhar 100% do tempo que ainda falta para se aposentar, mesmo assim receber o valor da aposentadoria reduzido, sem paridade e equidade.

Ponto final. Não votaria, ao menos que a proposta fosse mudada, (era o discurso de muitos Deputados). Ledo engano da população. Bastou “EMENDAS PARLAMENTARES E MAIS VERBA PÚBLICA PARA AS PRÓXIMAS ELEIÇÕES E OS DEPUTADOS ENCONTRARAM MOTIVAÇÃO PARA APROVAR A REFORMA.”

O Governo entrou em campo e resolveu o problema do jeito de sempre. Usou do conhecido expediente do toma-lá-dá-cá.

Por outro lado, Rodrigo Maia, bate no peito e diz que ele é o pai da criança. Ele articulou, ele é o dono da reforma. Segundo ele, esse é um mérito da Câmara. Inclusive já mandou avisar que vai determinar as agendas futuras de votação, sem interferência do Governo. Tudo conversa fiada, teatro, pois se o Governo não abrir a mala, nada será aprovado.

Na real, Bolsonaro é mais esperto do que parece. Deu uma tacada de mestre. Fez de Maia Bucha de canhão, usou do ego de Maia que está se achando o maior dos estrategistas. Qualquer coisa errada no futuro, Bolsonaro jogará nas costas de Maia, mas tudo que dar certo, que contabilizará êxito, será evidentemente o Governo que colherá os frutos. Quanto a estratégia para aprovar a reforma, Bolsonaro flertou com as ruas, fez médias, chamou os Deputados de praticantes da Velha Política, porém, aos 45 minutos do segundo tempo, abriu a mala e arrastou os votos do centrão. Sem essa generosidade maléfica do Governo, Maia não passaria de 250 votos.

Como disse acima, a dívida do Brasil é um monstro de sete cabeças. E as questões sociais em um país de desempregados, tende a agravar com o passar dos anos em que as pessoas envelhecerem e não conseguirem se aposentar.

Porém, a voz uníssona do Governo é que com a reforma da previdência o problema do desemprego será resolvido. Assim como o Temer disse que com a reforma trabalhista, o país voltaria a gerar empregos. “Quem viver verá”.

Quando se aposentar daqui para frente?... Ficou difícil.

Elizeu Gonçalves Muchon – Professor e Jornalista

elizeumuchon@hotmail.com

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