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“Falta precisão analítica”, por Elizeu Gonçalves Muchon

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Elizeu Gonçalves Muchon - Foto: Divulgação

Qualquer pessoa sabe que um país necessita investir em Educação, Ciências e Tecnologia. Falta, no entanto, para o atual Governo, precisão e integridade nos dados da educação brasileira. Falta sensibilidade e precisão analítica para reconhecer os rumos tortos e preocupantes que nosso sistema de ensino vem tomando.

Só se fala em cortes. Entendi a estratégia chula do Ministro da Educação Abrahan Weintraub, usando “chocolatinhos” para exemplificar o corte que será feito em nossas Universidades, como uma infeliz forma de comunicação. Tão tosca, que os técnicos do MEC se apressaram em dar uma explicação menos desdenhosa, dizendo que se trata de verba “discricionária”, usadas para pagamento de água e luz, como se isso não fosse necessário para o funcionamento das instituições.

Concomitantemente, o Governo também anunciou a suspensão das bolsas de pós-graduação (Mestrado, doutorado e pós-doutorado), da coordenação de aperfeiçoamento de pessoal de nível superior (CAPES), ligado ao MEC. Uma decisão que fere de morte o Ensino Superior e, por conseguinte as pesquisas avançadas.

O maldito facão do Governo corta verbas da educação, mas por outro lado anuncia liberação de emendas parlamentares, sabe-se deus pra quê. O maldito facão do Governo é justificado como se a reforma da previdência seja a única solução para o ópio do povo. Porém, não há um plano econômico que possa indicar uma esperança para milhões de desempregados. O país está – segundo a mentalidade do Governo – à mercê de uma reforma e dos constantes cortes para ajustar o orçamento da união.

E o MEC, se transformou em uma instituição congelada, fora do contexto e alheia ao desenvolvimento da sociedade. Basta ver a cada edição da Prova Brasil, avaliação bianual aplicada nas Escolas Públicas. Verifica-se avanços perto de ZERO em português e matemática. Lá adiante, nas provas do ENEN, uma enxurrada de notas zero em redação.

Entre tantos equívocos pilotados pelo MEC, nota-se o “quase” fim do professor generalista. Professores de áreas – especialistas – já são vistos até na educação infantil, queimando etapas e dificultando o aprendizado. Também vejo como grave equívoco do MEC, a aprovação de cursos de formação de professores com a dissociação entre os conteúdos ensinados no ensino superior e a realidade profissional. Aprende-se pouco didática de cada disciplina, pouco sobre o desenvolvimento do adolescente e sobre métodos mais contemporâneos de ensino. Por derradeiro, o que se vê é um abandono do Ministério da Educação, o qual tem levado nossa qualidade de ensino entre as piores do mundo. Falta tudo, principalmente consciência do Governante que adora dizer em campanha que vai lutar pela educação e depois a coloca em terceiro plano.

Elizeu Gonçalves Muchon – Professor e Jornalista

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