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"Fogo amigo", por Elizeu Gonçalves Muchon

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Elizeu Gonçalves Muchon - Foto: Divulgação

Um dos maiores imbróglios enfrentado pelos Presidentes da República no Brasil, sem dúvidas é a relação com o Congresso Nacional. É evidente que na democracia, o diálogo e as negociações são indispensáveis na busca da governabilidade. Entretanto, “negociações” não podem ser confundidas com “negociatas”, que por sua natureza desemboca em relações promíscuas e corruptas, como o conhecido e maldito período do “mensalão”.

Quase sempre, o sistema funcionou de forma pragmática, ou seja: um partido oferece apoio ao Presidente, mas em troca quer um Ministério com porteira fechada, se apodera dos recursos previsto no orçamente e administra o “tal” ministério à revelia do comando do presidente, como um sub governo. O resto da história todos nós conhecemos.

Bolsonaro está tentando mudar essa lógica. Não pediu – até agora - para nenhum partido indicar Ministro. Tem buscado indicação das bancadas temáticas. A princípio é o que o povo esperava. Cortar o cordão umbilical com as raposas felpudas. Resta saber se os líderes das bancadas temáticas, que, evidentemente são muito importes no Congresso, vão transformar essa liderança em votos suficientes para garantir a governabilidade, a final, quem controla a agenda da Câmara e do Senado, são, respectivamente as mesas diretoras, que junto aos líderes partidários – conforme roga o regimento – é quem define o que será votado e o que não será votado.

Um experiente político aqui do MS, me confidenciou que Bolsonaro está fazendo a coisa certa, mas não há nenhuma garantia de que isso vai funcionar, porque o Congresso Nacional é uma caixa de surpresa, um local de interesses nem sempre republicanos.

Para apimentar ainda mais essa relação, o clima está tenso na bancada do PSL, partido do Presidente. Está acirrada a briga por postos importantes, como a liderança do Governo e a liderança do partido (PSL). O Clima também tem azedado por conta da disputa da Presidência da Câmara, pois parte do centrão quer a continuidade de Rodrigo Maia, mas o filho do Presidente faz campanha contra.

É preciso sensibilidade política dos articuladores de Bolsonaro para não atiçar fogo nesse barril de pólvora, mesmo porque, uma eventual debandada do centrão, que tem força política no comando das duas casas, assim como no chamado baixo clero, deixaria o Governo em condições difíceis para viabilizar votações importantes e necessárias para o Governo botar seus programas para funcionar.

Nesse momento, não há lugar para fogo amigo. Não dá para permitir enguiço, confronto e disputas internas no time do Presidente. Talvez esse seja o primeiro teste de grande monta para Bolsonaro mostrar para que veio. Mesmo porque, a parte mais difícil de uma gestão não é fazer obras ou gerir bens. É promover uma harmonia entre todos que gravitam em volta do poder.

Elizeu Gonçalves Muchon – Professor e Jornalista.

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