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“Fogo!!! No Museu, na civilidade”, por Eduardo Martins

Eduardo Martins é professor de história da UFMS no campus de Nova Andradina

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Professor Eduardo Martins - Foto: Divulgação

O incêndio de grandes proporções que queimou o Museu Nacional do Rio de Janeiro, quiçá o maior patrimônio material e imaterial do Brasil, no domingo 02/08/18 é a triste caricatura do Brasil.

O incêndio de um lugar específicos de guarda, preservação e manutenção de documentos públicos e privados que servia de amparo às pesquisas acerca da memória nacional.

O museu tinha mais de duzentos anos e guardava objetos e documentos que contavam parte do processo histórico do país.

O incêndio é a triste caricatura de um tipo de realidade do fogo que consome a civilidade brasileira. O recente congelamento dos gastos públicos a maldita PEC 241 dos gastos públicos feita pelo governo golpista PMDB-PSDB retirou os investimentos que eram disponibilizados para o museu. Os golpistas deslocaram as verbas para bancos, TV Globo e aumento do STF que foram a base do golpe.

Os tecnocratas dos cortes do orçamento dão de beiço quando ouvem falar num museu, onde pensam que estão guardadas coisas mortas, mas que é onde se guarda exatamente o contrário: a vida. Mas qual o valor da vida para eles que defendem a morte e o assassinato do outro?

De alguma forma, o incêndio do Museu Nacional é o nosso incêndio da civilidade, o golpe na democracia que marca o poder absoluto do nazi-fascismo, apenas o corolário nojento e chocante de um processo em curso. O fogo traz a centelha de candidatos que fazem apologia de metralhar os trabalhadores e mandam crianças atirar para matar. Abram fogo! Como manda o capitão militar.

"Nunca faltou dinheiro para os museus do amanhã, do depois do amanhã, do porvir, dos museus que pretendem adivinhar o que seremos de acordo com as forças e tecnologias que nos governam e das empresas que nos dominam", diz Fernando Brito.

Àquilo de onde viemos, às nossas raízes como espécie e como civilização, fogo! E sobre as cinzas nascerá a barbárie. A violência e o ódio.

Saber, mesmo, é saber ganhar dinheiro e até por isso apontam como os que devem dirigir o país o apresentador e o promoter bem-sucedidos como os mais capazes de nos dirigir, ou então os “candidatos do bilhão” que sabem tudo o que é preciso saber: ganhar dinheiro. Quiçá o candidato do Itaú, A moeda doe um pouco do seu dinheiro tirado da exploração dos trabalhadores, uma verba para depois abater no imposto de renda ou aparecer como humano na campanha política.

Afinal, herança que interessa são fazendas, apartamentos, investimentos que se acumulam, para produzir gerações de inúteis que deles vivam, além de uma camada de executivos que disso cuidem e façam render. Viva o neoliberalismo privatista e morte ao museu.

Não faltará logo quem proponha uma “parceria-público-privada”, para cuidar da velharia em troca dos ingressos, dos royalties de marcas e de souvenirs para, quem sabe, rebatizar o que sairá daquelas cinzas como “Palácio Itaú de História”.

Fogo! No Museu, nos índios, em sem terras, nos pobres, intelectuais de esquerda! Fogo nos petralhas como ordenou um candidato à presidência!

Adeus civilidade, bem-vindos à barbárie!

Eduardo Martins é professor de história da UFMS no campus de Nova Andradina

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