Buscar

“Graças à democracia”, por Elizeu Gonçalves Muchon

Elizeu Gonçalves Muchon é professor e jornalista

Cb image default

Elizeu Gonçalves Muchon - Foto: Divulgação

A situação do Brasil não é das melhores, mas quando olhamos para a Venezuela, sentimos uma espécie de frescor, um ligeiro ar de felicidade. Em uma sensata comparação entre lá e cá, nos faz lembrar a frase de que “nada está tão ruim que não possa piorar”.

No entanto, esperamos por melhoras. Então, levantamos os olhos para fixar a fina flor da política estadual e nacional. O cenário reflete exatamente uma amostra da sociedade brasileira. Assim ocorre uma espécie de “epifania” mágica no encontro do olhar do eleitor com o candidato. Eis a constatação de que político não cai do céu. Ele sai do sei da sociedade. É um de nós que se apresenta como postulante a um cargo eletivo, aliás, direito que se estende a qualquer um que queira se candidatar.

Nos últimos meses tenho falado com muitos pré-candidatos. Nenhum admite perder a eleição. Mas quem não sabe administrar as próprias fragilidades pode derreter aos poucos e submeter ao fiasco. Todos navegam nas águas da prosperidade sem a menor intenção de se deparar com um iceberg. Todos têm uma proposta, geralmente cheia de boas intenções.

O bom, é que “graças à democracia” (diferente da Venezuela), teremos a oportunidade de escolher livremente para quem vamos dar o nosso voto. Aqui mesmo no nosso Nova News, tenho deixado reiteradas opiniões sobre as eleições, de forma mais específica sobre os cargos a presidente e governador, mas é indispensável lembrar que não há democracia sem um parlamento forte e atuante. O papel da Assembleia Legislativa e do Congresso Nacional é nada mais, nada menos que o “pilar” da democracia.

Infelizmente, todavia, os holofotes estão mais voltados para os cargos do Executivo, somente depois das eleições é que muita gente vai se dar conta da importância do Legislativo, às vezes composto por persona não grata.

Por outro lado, o cenário político mais parece um imbróglio, com indefinições, fruto dos fragmentos deixados pela ação da Lava Jato que atingiu todo mundo. Tal situação fática me leva a meditar sobre o nocivo desinteresse de grande parte do eleitorado brasileiro sobre a sórdida situação político-institucional que vive o país. Basta ver que mais da metade dos eleitores ainda não tem candidato e os que tem, a maioria sinalizam intenção de voto para um sujeito que está atrás das grandes. Enquanto uma parte da população apoia a Lava Jato, pede o fim da corrupção, roga por um país justo e com menos ladrões, outra parte, paradoxalmente apoiam um condenado em segunda instância.

No entanto, graças a democracia que “ainda” impera no Brasil, vamos poder resolver no voto o destino da nação.

Elizeu Gonçalves Muchon – Professor e Jornalista

[email protected]

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.