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“Melhor Pan do Brasil,” por Elizeu Gonçalves Muchon

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Elizeu Gonçalves Muchon - Foto: Divulgação

Adoro esporte. Basta dois meninos jogando burca e paro pra ver. Por essa e muitas outras razões, acompanhei, (quando pude), os jogos Pan-Americano de Lima.

Esporte vai muito além do badalado futebol. É no esporte Olímpico onde se vê suor, lágrimas, superações e uma avalanche de emoções, na linha tênue do limite do corpo humano.

Pois é, no Pan de Lima, o Brasil, embora tenha participado com uma delegação menor que nos últimos jogos, conquistou a segunda colocação no quadro geral de medalhas, (171) no total, sendo 55 de ouro, 45 de prata e 71 de bronze.

Gostei muito da participação do Brasil, embora sabendo que PAN é PAN e Olimpíadas é outra história completamente diferente. Por que? Hora, porque as potências como por exemplo os Estados Unidos, não levaram, via de regra, seus principais atletas ao Pan. O Canadá também e o próprio Brasil, (caso do vôlei masculino), que participou com equipe alternativa, já que a principal estava na Ucrânia disputando o Pré-Olímpico, aliás se classificou.

Contudo, é possível dizer que o Brasil fez cabelo, barba e bigode em Lima. Conquistou record de medalhas, conquistou o segundo lugar na classificação geral, algo que só havia acontecido em 1963 em São Paulo, quebrou record em medalhas de ouro.

Um detalhe importante é que o Brasil se destacou muito mais nos esportes individuais, especialmente na natação. O próximo e mais importante passo são os Jogos Olímpicos de Tóquio em 2020, sendo que a meta do Comitê Olímpico Brasileiro é superar aos 19 pódios conquistados no Rio de Janeiro. (Que miséria).

Esse é um momento mais que adequado para refletir sobre a grande fenda que separa o futebol e os esportes olímpicos. Por que tem tantos investimentos para o futebol, enquanto os esportes olímpicos e/ou amadores sucumbem com pífios patrocínios, tanto do Governo, como das grandes empresas?

O futebol tem grande visibilidade. Dá retorno financeiro. Muita gente leva grana alta com o futebol, daí o interesse dos empresários em patrocinar o futebol. Já os esportes “amadores” sofrem com a pouca visibilidade e, por conseguinte com a falta de patrocínio.

Por outro lado, no Brasil, diferentemente de Países como Japão e Estados Unidos, não se faz nenhum investimento na formação de atletas. Veja o caso da Educação Física ministrada em nossas Escola. É algo nada profissional. Em outros países, o esporte é o ponto alto de qualquer escola. Através de um bom desempenho do aluno no esporte ele, inclusive, ganha bolsa de estudos e toda estrutura para concluir seu curso de graduação. Os mais destacados são selecionados para treinar em alto nível e faturar medalhas nos Jogos Olímpicos, ou seja, uma cultura e uma visão completamente diferente do Brasil, que desdenha o esporte nas escolas, não dá nenhuma condição e estrutura para criar uma consciência da importância do esporte, não apenas para quem quer ser atleta, mas para a formação do caráter e personalidade do cidadão.

Muito se fala em violência em nosso País. Muito se fala e pouco se faz. O esporte é um dos caminhos para tirar os jovens das ruas e dar a eles a oportunidade de ser um cidadão de verdade, ser um vencedor. Não falta talento no Brasil, o que falta é um trabalho profissional para colocar nossa nação no topo das conquistas. E, como esse aprendiz de cronista aqui desconfia, isso está longe de acontecer.

Elizeu Gonçalves Muchon – Professor e Jornalista.

elizeumuchon@hotmail.com

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