Buscar

Museu incendiado – O crime do século, por Elizeu Gonçalves Muchon

Elizeu Gonçalves Muchon é professor e jornalista

Cb image default
Elizeu Gonçalves Muchon - Foto: Divulgação

Não creio que possa acontecer, no decorrer desse século, outro crime de tamanha proporção quanto ao incêndio do Museu Nacional, ocorrido neste 02 de setembro.

Bastou seis horas de fogo para queimar mais de duzentos anos de história.

Um descaso criminoso com a cultura, a história, o passado e principalmente com o futuro.

Estima-se que vinte milhões de peças tenham sido perdidas. Sem contar duzentos anos de estudos acadêmicos lambidos pelas chamas.

Além das peças, o próprio prédio simbolizava um período importante da história do Brasil. Ali nasceu o Imperador D. Pedro II. Um dos brasileiros mais ilustres e que mais amou esse país.

Há anos os historiadores e administradores do Museu clamavam pela reforma e adequação do prédio. Lembro que há nove anos atrás, houve um forte movimento nesse sentido, incluindo um protesto quando o ex-presidente Lula anunciou investimentos em outros países, deixando de liberar recursos para a tão necessária reforma do prédio.

Esse é o reflexo da falência de nosso país. Antes que alguém chame esse incêndio de fatalidade, é bom registrar isso como irresponsabilidade, falta de patriotismo, falta de amor ao país.

Nossos historiadores certamente estão em luto, entretanto, nossos governantes não devem estar comovidos, pois estão ocupados em delapidar o país.

Resta registrar que um povo que renega sua história e sua cultura, está renegando o seu futuro. Não canso de dizer que sem investimentos em educação, ciências e tecnologia, seremos sempre coadjuvantes no mundo globalizado.

O incêndio deste Museu certamente é o crime maior deste século. (elizeumuchon@hotmail.com).

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.