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“Não ia ser ameaça. Ia ser assassinato” – Rodrigo Janot”, por Elizeu Gonçalves Muchon

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Elizeu Gonçalves Muchon - Foto: Divulgação

 “Num dos momentos de dor aguda, de ira cega, botei uma pistola carregada na cintura e por pouco não descarreguei na cabeça de uma autoridade de língua ferina que, em meio àquela algaravia orquestrada pelos investigados, resolveu fazer graças com minha filha. Não ia ser ameaça, não. Ia ser assassinato mesmo. Ia matar o Gilmar Mendes e depois me suicidar” - Rodrigo Janot – ex-Procurador Geral da República.

Nunca imaginei que um Procurador Geral da República, fiscal da Lei com função acusatória tão relevante, pudesse chegar ao extremo de planejar o assassinato de um Ministro do Supremo Tribunal Federal, dentro do prédio desta importante instituição que em tese é a guardiã da Constituição Federal.

Penso eu, que pelo o que disse o ex-Procurador, ele não possui estabilidade mental necessária para ter exercício por 04 anos tão importante função. Efetivamente é um paradoxo, um fiscal da Lei fazer apologia ao mais penoso crime contra a vida humana. Ainda bem que não se chegou as vias dos fatos.

Coisas acontecem que deixa qualquer um perplexo diante do que a mente humana pode produzir. Nesse caso, não importa muito, se no boteco da esquina ou em um ambiente povoado por pseudos intelectuais.

Caso parecido – mas dessa vez com o agravante de ter chegado a via dos fatos – ocorreu em 1963, no plenário do Senado Federal. O então Senador Arnon de Mello, pai do ex-Presidente Fernando collo de Mello, matou com 02 tiros de 38 o Senador José Kairala. A intensão era matar o Senador Silvestre Péricles, porém, ao entrar para apartar o confronto, José Kairala levou a pior.

Na Câmara dos Deputados também já foram registrados pelo menos dois tiroteios. Um em 1929 quando a câmara ainda era no Rio de Janeiro. O Dep. Simões Lopes assassinou o Dep. Souza Filho. Outro em Brasília, no ano de 1963. Os Deputados Estácio Souto Maior (pai do Piloto Nelson Piquet), saiu na bala com o Dep. Nelson Carneiro.

Nas Assembleias Legislativas e Câmara de Vereadores Brasil a fora, também tem (inúmeras) histórias de violência e tiroteios. É o Brasil.

As ligeiras ponderações mostram que a violência não está apenas em lugares considerados comuns. Em qualquer ambiente pode ocorrer em grau menor ou maior, comportamentos agressivos, ou de caráter passional, ou de transtorno mental.

No caso específico do Ex-Procurador Jonot, o que se discute é como ele chegou a um cargo tão alto com patologia tão grave. O outro questionamento é de que, em razão de seu comportamento vingativo, pode ter prejudicado e perseguido inúmeras pessoas com seu poder acusatório inerente ao cargo que exercia.

Seja como for, o que foi feito foi feito, não volta mais atrás. Em breve tudo cai no esquecimento. Fica como lição que o lado obscuro intrínseco na natureza humana, impulsionado pelo estresse e pelo instinto de vingança, pode se manifestar de forma peculiar e violenta, então, talvez Sigmund Freud explica, talvez.

Elizeu Gonçalves Muchon – Professor e Jornalista

elizeumuchon@hotmail.com

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