Buscar

“Negar a política não é a solução”, por Elizeu Gonçalves Muchon

Elizeu Gonçalves Muchon é professor e jornalista

Cb image default

Elizeu Gonçalves Muchon - Foto: Divulgação

Estamos em pleno período eleitoral. O cenário é confuso, de fatalismo, descrença e tem produzido uma categoria de militância de sofá que reverbera nas redes sociais, um tipo de ativismo digital, que reflete uma zona de conforto, bem distante do “olho no olho”, do chão batido das ruas, do confronte direto com o cidadão e seus problemas.

O Brasil não é formado apenas por políticos. Ainda que eles (políticos) sejam os protagonistas, eles saem do seio da sociedade, não caem do céu, nem brotam da terra. Mas o Brasil tem (ou pode ter) jeito.

No entanto, negar a política, corresponde a abrir mão da oportunidade de buscar uma solução para o futuro do país. Seja qual for a mudança, (espera-se que para melhor), passa pela política. Não há outro caminho. Daí a importância da participação coletiva, pelas redes sociais ou de preferência a participação de corpo presente.

Mensurar a desgraça coletiva, medindo-a com régua alheia, sem apontar soluções é pouco ou quase nada produtivo para encontrar o caminho.

Entre tantos problemas, a “violência” talvez seja o que mais preocupa o brasileiro. Mesmo sem especialidade técnica, qualquer cidadão sabe com clareza matemática o tamanho da gravidade. Porém, não é diferente com a economia, com a educação, com a saúde, com a impunidade e tudo mais que não funciona em terras brasileiras.

Não há outro caminho senão a política para resolver os problemas do país. Todavia, como cada cidadão está encarando essas eleições? Qual o grau de envolvimento de cada um? Qual a paciência e/ou o tempo dedicado a acompanhar a divulgação do plano de governo de cada candidato? São muitas as interrogações, tanto sobre o eleitor quanto sobre os candidatos, até porque, não vejo muito detalhamentos nos programas apresentados.

É muito fácil para um candidato fazer um protocolo de boas intenções. De boas intenções o quintal do inferno está cheio. O necessário é mostrar como pretende fazer e de onde vai sair o dinheiro para fazer.

Neste sentido, os debates na TV são determinantes. Segundo pesquisas, 71% dos eleitores aguardam os debates na TV. Não que as redes sociais sejam incipientes, mas geralmente são usadas por aqueles que já definiram seus candidatos.

Em 1.960, no primeiro debate realizado nos Estados Unidos, John F. Kennedy, venceu Richard Nixon pela aparência. Nixon saia de uma temporada no hospital, estava pálido e sem maquiagem, enquanto Kennedy estava bronzeado, com boa aparência e bastante à vontade.

Aqui no Brasil, os debates historicamente têm tido influência nos resultados das eleições, especialmente porque são usados para repercutir em outras plataformas de mídia.

Resta saber se o eleitor indeciso está disposto a acompanhar os confrontos, mesmo porque os debates são mornos, engessados em um formato ultrapassado, ainda assim, serve para colher minimamente as informações e intenções de cada postulante a cadeira mais importante do país. “Minimamente mesmo”. Exemplo: um jornalista perguntou a um candidato: porque ele pretende ser presidente da República e o que fará para melhorar a economia. Tempo para a Resposta, 45 segundos. Chega a ser bizarro.

Por esta e outras razões, tenho procurado ler o programa de governo de cada um dos candidatos, confesso que fiquei assustado com o que li no programa do PT.

Não vamos negar a política, alguém vai ser eleito, com ou sem o seu voto. Por outro lado, não podemos eleger um poste sem luz para administrar o país.

Elizeu Gonçalves Muchon – Professor e Jornalista

elizeumuchon@hotmail.com

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.