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“No campo político os técnicos escalam os times”, por Elizeu Gonçalves Muchon

Elizeu Gonçalves Muchon é professor e jornalista

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Elizeu Gonçalves Muchon - Foto: Divulgação

Na política existem dois times: o governo e a oposição. Caso contrário não é uma democracia.

Comparando ao futebol, para temporada 2.019 os técnicos já começam a escalar seus times. O “técnico” do Governo, o presidente eleito Jair Bolsonaro, está capitaneando os melhores nomes para ocupar os Ministérios, definindo posições e estratégias para governar. Tudo certo, é assim mesmo.

Já a oposição ainda não tem técnico. O poderoso Lula escalou o Fernando Haddad para comandar a oposição. Entretanto, o emburrado e zangado Ciro Gomes rechaçou a ideia. Ele, Ciro, tenta montar uma frente de oposição paralela a do PT. Ciro esbravejou e disse que foi miseravelmente traído por Lula. Afirmou que Lula pensa em três coisas, nele, nele e nele.

Até aí, ponto para Bolsonaro, pois, se a oposição não escalar direitinho o time, não tiver discurso uníssono e aprimorar o toque de bola, a “esquadra” Bolsonariana vai dominar os espaços do Congresso Nacional e garantir a governabilidade plena ao presidente capitão.

Uma terceira força, o governador eleito de São Paulo, João Dória, que já mandou avisar que não será candidato a reeleição em São Paulo e deu sinais claros que disputará a presidência da República em 2.022, poderá ter influência clara em qualquer um dos times citados. São Paulo é um país dentro do Brasil. Exerce grande força política e para onde Dória pender ele arrasta votos no Congresso. A princípio, declarou que estará do lado de Bolsonaro. Resta saber se o capitão vai alinhar forças políticas com um possível concorrente.

O tabuleiro político, entretanto, é um pouco mais complicado que parece. Bolsonaro, em um culto, afirmou que pode não ser o mais preparado, mas que Deus prepara os escolhidos. A convicção do novo presidente faz todo sentido. Seu primeiro passo em tentar montar um ministério de notáveis, é, evidentemente um ato de sabedoria. Porém, ele terá que dar autonomia quase plena a seus ministros, coisa que não será fácil para alguém com formação militar. Vai mesmo necessitar de sabedoria divina e profundo comedimento em suas decisões. Terá que fazer esforço hercúleo para abrir mão de parte de seu poder (próprio de um presidente no regime presidencialista) e atribuir a seus ministros.

Voltando ao âmago da análise, comparando as estratégias de um jogo de futebol com a política, o time do presidente está sendo escalado pra jogar no ataque. Seus atacantes consistem em um grupo de ministros formado por notáveis, sua defesa é o respaldo popular, (que não se sabe até quando dura), o meio de campo é o Congresso Nacional, cuja composição a partir de primeiro de fevereiro, é uma incógnita, até porque não se sabe se os neófitos eleitos no pleito mais atípico da República Brasileira terão conhecimento para romper a ala do baixo clero e protagonizar posições relevantes nas comissões e no plenário em favor do Governo. Falar, até papagaio fala. Conheço deputado federal que demorou um ano para encontrar seu próprio gabinete, nos corredores longos e enigmáticos da Câmara dos Deputados. Ademais, esse meio de campo, (Congresso), funciona no sistema bicameral. A Outra Ccsa, o Senado, é ainda mais melindrosa, elitizada, com uma segregação que pode asfixiar o meio de campo do time do presidente. O Senado é uma casa de plutocracia, composta por pessoas, via de regra, influentes pelo dinheiro que possui, ou por larga experiência política.

Bolsonaro deu amostras, em seus primeiros atos, que não vai se curvar a seus asseclas que tenha condenações, ou processos na justiça. Quer um grupo de ministros de conduta ilibada. Quer combater a corrupção. Resta saber se vai conseguir manter essa coerência, assim que o jogo começar para valer depois de sua posse.

Bolsonaro tem pela frente gigantesco desafio e ao admitir suas fraquezas e dificuldades pessoais, demonstra humildade e vontade de acertar. Exibiu como livro de cabeceira a Bíblia, onde busca orientação espiritual. Quanto às inspirações de luta, mostrou a bela obra, “Memórias da Segunda Guerra Mundial”, escrita pelo líder Winston Churchill, o homem que conduziu o povo inglês e o mundo livre no conflito contra o nazismo. Churchill acumulou vitórias por lutar com palavras sábias, com firmeza, com verdade e humildade. Oxalá, Bolsonaro tenha a mesma verve para trilhar esses caminhos. Mas no momento, tem que procurar escalar direitinho seu time, porque não se saber a intensidade e o ritmo da oposição que terá pela frente.

Elizeu Gonçalves Muchon – Professor e Jornalista

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