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Nova Andradina - Projeto “Arte Na Escola” terá pinturas exibidas em documentário

A informação foi divulgada em primeira mão, durante visita da professora Jessica Lima e dos alunos participantes ao Nova News

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Alunos participantes do projeto "Arte na Escola" e a professora Jessica Lima - Foto: Bárbara Ballestero/Nova News

O projeto “Arte na Escola”, desenvolvido na Escola Estadual Prof.ª Fátima Gaiotto Sampaio, em Nova Andradina, será exibido em documentário a nível global. A informação foi divulgada em primeira mão, durante visita da professora Jessica Lima e dos alunos participantes ao Nova News.

Desenvolvido na instituição há 3 anos, o projeto faz parte do programa ‘Arte e Cultura na Escola’, numa promoção do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, com a realização da Secretaria de Estado de Educação, por meio do Núcleo de Arte Cultura (NUAC).

O curso de pintura em tela tem como objetivo estimular o potencial sensível e criativo dos alunos, desmistificando a ideia de que arte é para poucos; além de aprenderem a desenhar e pintar, os alunos também confeccionam as telas.

Durante o mês de março, mês da mulher, alunos do ensino médio sugeriram para a professora Jessica Lima, a realização de um projeto que homenageasse mulheres influentes na sociedade. Inicialmente os alunos Natiele, Amanda, Marcos, Vitória Maria, Vanessa, Lívia, Izabele, Thamires, Érika, Maria Isabel e Elisete realizaram uma pesquisa sobre mulheres que se destacaram em várias áreas, tais como arte, esporte e direitos humanos. Em seguida, foram selecionadas as imagens que foram reproduzidas no muro frontal da escola.

Foram pintadas a cantora e atriz Carmem Miranda, a socióloga, feminista e ativista Marielle Franco, a jogadora de futebol Marta, representando a luta das mulheres pelo direito à educação, foi escolhida a paquistanesa Malala, a mexicana Frida Kahlo, por sua trajetória profissional, figurando entre os pintores mais importantes do século XX, Anne Frank, judia, que viveu durante a Segunda Guerra mundial e ficou conhecida por ter escrito um diário que relatava o sofrimento dos judeus durante o holocausto.

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Também foi reproduzida no muro, Helena Meirelles, violeira sul-mato-grossense, grande exemplo para as mulheres da sua época, entrando para o hall dos 100 melhores do mundo, de acordo com a Guitar Player.

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Em visita ao Nova News os alunos relataram sobre suas experiências ao participar do projeto.

“Eu achei o trabalho muito significativo para nós mulheres, por que além de homenagear as que estavam na nossa luta por direitos iguais antes de nós, seja na arte, na política, na literatura, o projeto também é muito importante para mostrar para as meninas mais jovens, que elas estão, e vão continuar sendo representadas,” disse Vanessa Rodrigues, uma das alunas que integram o “Arte Na Escola”.

“A importância do muro pra mim, além de deixar a faixada da escola muito mais bonita, ampliou a visão sobre a luta das mulheres na sociedade pelo seu reconhecimento. O projeto de uma forma geral, nos proporcionou, através de pesquisas, conhecer a história dessas heroínas, fortes e inspiradoras de várias sociedades,” enfatizou Érika Beatriz, participante do projeto.

“Assim que soube do projeto eu me interessei muito e me ofereci para participar sem hesitar”, disse Marcos.

A professora de artes, Jessica Lima, responsável pelo projeto desenvolvido, também falou sobre a sua relação com a arte.

“Pra mim é mais do que importante este projeto, tendo em vista que meu primeiro contato com a arte foi no período do ensino médio, quando comecei a fazer aulas de pintura em tela, com a professora de arte da época. Participei da 2ª edição da Mostra Cultural Das Escolas Estaduais de Mato Grosso do Sul, na modalidade de pintura em tela e fiz a índia que foi estampada em todas as caixas de lápis de cor do kit escolar fornecido pelo estado. Consegui uma bolsa de estudos para faculdade de Artes Visuais, como reconhecimento do meu trabalho artístico. Durante a faculdade e depois, participei de exposições e mostras culturais coletivas em Nova Andradina e Campo Grande. Leciono na Escola Estadual Prof.ª Fátima Gaiotto Sampaio, há 6 anos. Há 3 anos desenvolvo o Projeto Arte na Escola, projeto de pintura em tela, onde ensino os alunos sobre o processo de confecção da tela, momento que transformamos o tecido em tela, com uma mistura de tinta acrílica branca, cola e água, técnicas de desenho e pintura e por fim colocando molduras. Todas as telas são produzidas pelos alunos, desde a confecção até a criação”, explicou.

Documentário

Ao tomar conhecimento sobre as pinturas, Rachel Campos, de 35 anos, que desenvolve atividades humanitárias, entrou em contato com a direção da escola para sugerir a pintura de alguns nomes de peso, como ativistas pela paz e educadores, tendo em vista que ainda havia espaço livre no local. “De antemão, o diretor da unidade achou interessante a proposta”, disse. De acordo com Rachel, os processos de criação e reprodução dos nomes escolhidos serão filmados, para posteriormente serem exibidos em um documentário produzido por ela, que será exibido a nível global.

O objetivo do documentário é mostrar a importância da educação e empoderamento para todos os jovens.

Ahmad Nawaz

Será reproduzido no muro, Ahmad Nawaz, um jovem ativista de 18 anos em conscientização sobre educação, paz e juventude. Ahmad Nawaz é um sobrevivente da Escola Pública do Exército, Peshawar KPK, Paquistão (Taliban Attack 16 de dezembro de 2014), no qual 140 estudantes foram brutalmente mortos. Ele perdeu seu irmão mais novo naquele incidente e ficou gravemente ferido. Ahmad foi levado para o hospital britânico Queen Elizabeth, em Birmingham, para tratamento. Depois de ter sido dispensado da unidade hospitalar, ele pensou que deveria fazer algo melhor para a próxima geração e especialmente para alunos e jovens, a fim de motivá-los para os próximos desafios globais. Começou a Campanha de Conscientização no Reino Unido em setembro de 2015, onde visitou mais de 100 escolas, universidades diferentes, incluindo a Universidade de Oxford e a Universidade de Cambridge. Nawaz compartilhou sua experiência e criou consciência em estudantes a fim de parar aqueles que foram inspirados na ideologia terrorista. Ele motivou estudantes a olharem para ele, verdadeira vítima desses grupos. Como resultado, muitos  inspiraram-se em sua história e na forma como ele se posicionou contra a radicalização.

Denis Mukwege

Outro escolhido é o médico ginecologista congolês que luta pela violência sexual em mulheres de seu país, em Bukawu, República Democrática do Congo. Possui um hospital e uma fundação para reabilitar mulheres, onde trabalha em restaurar a esperança.

Nadia Murad Basee Taha

Jovem iraquiana, ativista de direitos humanos e ganhadora de Nobel da Paz juntamente com Denis Mukwege, também foi escolhida. Ela foi sequestrada pelo grupo terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante em agosto de 2014 e foi escrava sexual do Daesh. Atualmente vive na Alemanha.

Nujeem Mustafa

Jovem síria que fugiu da guerra civil sanguinolenta com uma cadeira de rodas. Ela tem paralisia cerebral, é escritora e tem livro lançado. Nujeem também integrará o muro.

Muzoon Almellehan

Ativista síria que luta pela educação e pela paz, conhecida como a "Malala da Síria", é outra escolhida.

Paulo Freire

Também integrará o muro, Paulo Reglus Neves Freire (1921-1997) educador, escritor e filósofo pernambucano. Tendo sua formação inicial em Direito, Freire desistiu da advocacia e atuou durante o início de sua carreira como professor de Língua Portuguesa no Colégio Oswaldo Cruz, instituição em que o professor havia concluído o Ensino Básico. Freire também trabalhou para o Serviço Social da Indústria (SESI) como diretor do setor de educação e cultura, além de ter lecionado Filosofia da Educação na então Universidade de Recife.

Paulo Freire foi agraciado com cerca de 48 títulos, entre doutorados honoris causa e outras honrarias de universidades e organizações brasileiras e do exterior. É considerado o brasileiro com mais títulos de doutorados honoris causa e é o escritor da terceira obra mais citada em trabalhos de ciências humanas do mundo: Pedagogia do oprimido.

Humberto Espíndola

Outro escolhido para ter sua imagem reproduzida no local é Humberto Augusto Miranda Espíndola (Campo Grande - Mato Grosso do Sul- 1943). Pintor e desenhista. Forma-se em jornalismo na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade Católica do Paraná, em 1965. No ano seguinte, organiza a Primeira Exposição dos Artistas Mato-Grossenses, em Campo Grande, onde funda, em 1967, a Associação Mato-Grossense de Arte. Volta-se a temáticas regionais e produz pinturas inspiradas na bovinocultura. Cria, em 1973, o Museu de Arte e Cultura Popular, ligado à Universidade Federal de Mato Grosso, em Cuiabá, dirigindo-o até 1982. Realiza mural para o Palácio Paiaguás, sede do governo estadual de Mato Grosso, em 1974. Em 1977, recebe o prêmio melhor do ano em pintura da Associação Paulista de Críticos de Arte - APCA. Em Campo Grande, é co-fundador do Centro de Cultura Referencial de Mato Grosso do Sul, em 1983, e realiza o Monumento à Cabeça de Boi, de ferro e aço, instalado na praça Cuiabá, em 1996. Apresenta mostra retrospectiva, em 2000, na Casa Andrade Muricy, em Curitiba, e, em 2002, no Museu de Arte Contemporânea, em Campo Grande, e no Museu de Arte e de Cultura Popular, em Cuiabá.

Lídia Baís

Lídia Baís, artista sul-mato-grossense, nasceu em Campo Grande em 22 de abril de 1900. Filha de Amélia Alexandrina e Bernardo Franco Baís, comerciante italiano, natural da cidade de Coxim. Filha de família branca e rica do então Mato Grosso, a artista desfrutou dos privilégios que o dinheiro pôde lhe oferecer. Em razão disso, ela, suas irmãs e irmãos, puderam viajar pelo Brasil e para Europa, conhecendo desse modo, novas formas de socialização, bem como diferentes culturas. E foi a partir dessas experiências com o mundo, que Lídia Baís encontrou-se com a arte. Fugiu ao que era esperado de uma mulher branca e rica que nasceu e cresceu em um estado considerado atrasado em relação aos grandes centros urbanos brasileiros. Ao longo de sua trajetória, a artista realizou um movimento que descreve outra face dos papéis femininos da época, bem menos presa ao lar e aos afazeres domésticos, também pouco submissa às relações de poder impostas por uma sociedade patriarcal, transgride a suposta natureza feminina quando nega determinados padrões de comportamento. Fugiu de casa para estudar na Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro, consegue em 1939 realizar a primeira e única exposição individual no salão da Policlínica (RJ). Quando retorna para Campo Grande, tenta abrir, porém, sem sucesso, o primeiro museu de arte da cidade. Dedicou-se aos estudos de diferentes religiões e doutrinas espiritualistas, além de estudos de filosofia. Depois de um tempo debruçada nesses estudos, enclausurou-se voluntariamente em sua residência dedicando-se ainda mais aos estudos espirituais, bem como à produção artística. Foi forçada a um casamento arranjado por seu pai, no qual 5 dias depois abandona o marido e consegue o divórcio, anos mais tarde, liberando-se assim das interdições financeiras e psiquiátricas. A história de vida e artística de Lídia Baís é marcada por movimentos de resistência e transgressão. Uma mulher que rompeu com os padrões da época e que viu na arte e nos estudos espiritualistas um modo de se colocar no mundo. Lídia também será pintada no muro da escola.

Zilda Arns Neumann

Zilda Arns Neumann, médica pediatra e sanitarista brasileira, também foi selecionada para integrar o projeto. Viveu para defender e promover as crianças, gestantes e idosos, construir uma sociedade mais justa, fraterna, com menos doenças e sofrimento humano.

Em seu trabalho, sempre aliou o conhecimento científico ao conhecimento e à cultura popular; valorizou o papel da mulher pobre na transformação social; mobilizou a todos, pobres e ricos, analfabetos e doutores, na busca da Vida Plena para todos. Ela costumava dizer: “Há muito o que se fazer, porque a desigualdade social é grande. Os esforços que estão sendo feitos precisam ser valorizados para que gerem outros ainda maiores”.

Morreu dia 12 de janeiro de 2010 no terremoto que devastou o Haiti. Neste mesmo dia discursou sobre como salvar vidas com medidas simples, educativas e preventivas. Fez o que sempre falou: congregar mais pessoas para se unirem na busca de “vida em abundância” para crianças e gestantes pobres.

Deixou sua marca na história do Brasil ao fundar e coordenar a Pastoral da Criança e Pastoral da Pessoa Idosa.

(*Colaborou Fernanda Reis e Rachel Campos)

(Com Brasil Escola, Pastoral da Criança e Itaú Cultural).

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