Publicado em 26/08/2019 às 10:16, Atualizado em 26/08/2019 às 14:18

“O dia do basta”, por Elizeu Gonçalves Muchon

Elizeu Gonçalves Muchon ,
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Elizeu Gonçalves Muchon - Foto: Divulgação

O povo brasileiro deu um grito de “BASTA”. Foi no dia das eleições em segundo turno quando elegeu Bolsonaro Presidente.

O Brasil, consumido por uma corrupção endêmica, em patamares assustadores e que literalmente carcomeu as instituições, desde os gabinetes aos porões dos palácios, impeliu o povo a dar um grito de basta.

Se esse grito foi na direção correta, ou seja, se o candidato escolhido é o que deveria ser escolhido, essa é uma outra questão que só o tempo dirá. De qualquer forma, a escolha foi feita de forma democrática e isso por si só já é uma grande coisa.

No entanto, já é possível fazer uma prévia da liturgia do Governo Bolsonaro. Mesmo para quem domina a hermenêutica contemporânea, é quase impossível interpretar a confusa forma de comunicação verbal do Presidente. Sempre achei que Dilma seria imbatível com seu discurso confuso, mas Bolsonaro já disputa a medalha de ouro nesse quesito.

De toda ordem, porém, somos chamados a responder uma pesquisa no silêncio e de nossa consciência ao atentar para alguns questionamentos.

Aconteceu alguma melhora na Educação, Saúde, Segurança Pública e na Economia? A Política externa do atual Governo é favorável aos negócios do Brasil? A Reforma da Previdência é boa para o povo? O discurso do Presidente é de um homem hipoteticamente ético? Sua relação com o Congresso é de toma lá-dá-cá? O desempregado tem iminente esperança de voltar ao trabalho? Se a resposta for sim, o grito de basta valeu a pena, mas se a resposta for não, só resta torcer e esperar as próximas eleições.

É claro que ninguém muda um país em tão pouco tempo, mas é chegado um momento para dar início nas mudanças. Especialmente, é chegado o momento de o Presidente descer do palanque, ser mais comedido e pensar um pouco antes falar. Seus discursos mambembes e inadequados para um Presidente, recentemente fez o Brasil perder, por exemplo, a cooperação internacional para preservar a floresta amazônica. Noruega e Alemanha, os dois maiores colaboradores já cortaram as contribuições e foram acompanhados pelos demais colaboradores. Os 9 Governadores da Amazônia Legal, inclusive dois do PSL, protestam veementemente contra o Presidente, único responsável pelo corte. Todos os dias, as declarações do Presidente causam desarranjo no seio do próprio Governo. Alguém precisa orientar o Presidente a falar menos e fazer mais. O País precisa do presidente, mas a continuar assim, é sábio lembrar a frase de Santo Agostinho. “A soberba abrevia a vida dos políticos”, sobre eles, “Santo Agostinho dizia que eles fingem condenar a soberba, mas agem de modo soberbo.”

Não passa um dia sem que o Presidente dispare uma declaração estapafúrdia, como uma metralhadora mirando em seu próprio pé. As palavras têm muita força e esse falatório está causando imensuráveis prejuízos ao Brasil, até as exportações de produtos brasileiros já começam a ser boicotadas, portanto o DIA DO BASTA perdeu força e, o basta desejado agora é que o Presidente fale menos e faça mais.

Elizeu Gonçalves Muchon – Professor e Jornalista

elizeumuchon@hotmaimal.com