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“O problema do Bolsonaro é civilizatório”, por Eduardo Martins

Eduardo Martins é professor de história da UFMS no campus de Nova Andradina

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Professor Eduardo Martins - Foto: Divulgação

Qualquer pessoa minimamente instruída, atenta às questões políticas do Brasil ou em última instância os fãs do Bolsonaro leram a declaração de um dos maiores empresários do Brasil, comandante da maior indústria de papel, a Klabin, e ex-presidente da histórica e toda poderosa Fiesp, Horácio Lafer Piva, disse ele (19/07/2018) hoje na Folha de S. Paulo "o problema do Bolsonaro é civilizatório" continua "o Brasil retrocederia nesse ponto e voltaria a discutir temas como gênero e segurança ... O Brasil não precisa disso". Ora, Lafer Piva só faltou chamar esse pré candidato de psicopata.

As ciências humanas tem por objeto central de estudo temas relacionados justamente à questão da civilidade, mas vamos ao básico ver o verbete civilidade, segundo o dicionário Aurélio "conjunto de formalidades observadas pelos cidadãos entre si em sinal de respeito mútuos e consideração". Considerando apenas esta última definição de civilidade Lafer Piva diz que Bolsonaro não respeita as regras básicas de respeito e consideração entre as pessoas humana. Qual pessoa tem um perfil dessa natureza, senão um psicopata, é o que devemos aferir das palavras do chefe das indústrias do Brasil.

Continuando as análises do discurso de Lafer Piva, o que podemos sentir é o temor dele em uma pessoa que tem pretensões de ser presidente do Brasil, governar uma nação heterogênea, multirracial, pluricultural, de dimensões continentais formada por indígenas, negros e imigrantes. O medo do empresário acima citado é pertinente considerando-se as declarações conturbadas deste ser político. Segundo Lafer Piva o país já avançou muito nas questões que ele chamou de civilidade e eu chamo de sociabilidade. Viver em sociedade é respeitar os direitos alheios, mesmo que não concordemos com eles. Viver em sociedade é conviver, frequentar e dividir espaços públicos e privados se adaptando ao outro, sobretudo, dialogando, argumentando. Para viver em sociedade é preciso outrar-se, ver e se colocar no mundo no lugar do outro, sentir as dores do outro, é preciso compadecer, solidarizar e fraternizar. Palavras tão belas em discursos religiosos, mas tão pouco efetivadas no cotidiano bolsonarista é o que pretende dizer Lafer Piva.

A noção fascista em voga de eliminar o outro que eu não gosto não pode e não deve mais ter espaço na sociabilidade humana do século XXI.

Por fim, o medo de um dos mais notórios empresários do Brasil, ex-presidente da Fiesp, deve trazer algum ponto de reflexão àqueles pequenos empresários, pequenos burgueses, classe média, pobres de direita refletirem sobre o país em que vivem. Mas sobretudo, considerarem as palavras dele como um aviso de que o Brasil está no caminho certo em relação às políticas de inclusão social e humanas em geral.

Lafer Piva passou seu recado para os seus iguais "o Brasil não precisa disso". Ou seja, o Brasil não precisa de Bolsonaro.

Eduardo Martins é professor de história da UFMS no campus de Nova Andradina

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