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"O tempo da prosperidade," por Elizeu Gonçalves Muchon

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Elizeu Gonçalves Muchon - Foto: Divulgação

Desde criança ouço dizer que o Brasil é o País do futuro. Mas, esse tempo de prosperidade nunca chega. Ainda muito jovem assisti e participei com grande emoção dos movimentos das ‘Diretas Já”. Um movimento civil ocorrido entre 1983 e 1984, pedindo eleições diretas para Presidente da República. O Congresso Nacional, no entanto, não aprovou a emenda Dante de Oliveira e as eleições foram indiretas. A grande mobilização nacional, sensibilizou o Congresso, que elege Tancredo Neves, em uma disputa contra Paulo Maluf.

Tancredo representava a abertura democrática. Era um dos líderes que viabilizou o movimento das diretas e por essa razão era garantia da volta da democracia. Maluf representava os Militares.

Tancredo ficou doente. 39 dias de agonia e comoção nacional, Tancredo Neves morreu em 21 de abril de 1985, sem nunca assumir o cargo para o qual foi eleito. O vice, José Sarney tomou posse.

O resto da história, todos conhecem. O fato é que de lá para cá, com exceção da alegria de reconquistar a democracia, não tenho visto prosperidade. Entra Governo e sai Governo e pouca coisa tem acontecido para consolidar o desenvolvimento do país, com exceção do Plano Real.

O que conta, é que o Brasil, lugar maravilhoso, tipo terra prometida, tem se transformado, graças ao imbróglio do Governo, no ópio do povo. Parte da sociedade anda triste e solitária, tal qual uma música de Jazz, um som cadenciado, melancólico.

Hoje, temos o mundo nas mãos com o avanço tecnológico. Essa rapidez nas informações acabou em coisas apressadas, e coisas apressadas quase sempre são contaminadas. Temos o mundo nas mãos, mas não temos trabalho para o povo. Em breve, para piorar a situação não teremos aposentadoria. Essa culpa não é somente do Governo Bolsonaro, mas do congresso. Recentemente o Dep. Marcelo Ramos, que irá presidir a Comissão Especial da Reforma da Previdência, disse que o Governo não tem votos nem para aprovar uma moção de aplauso, e que o Congresso é quem vai aprovar a reforma.

O tempo de prosperidade se perde na largura dos dias. Vira uma espécie de miragem. Tal afirmativa, tem como base a confusão que tomou conta do Governo. Em menos de cinco meses, tudo derrete nos bastidores do poder. As redes sociais viraram palco de ofensas entre os componentes do próprio governo, tendo como protagonista os filhos do Presidente e o Próprio Presidente que vê conspiração em tudo. Em entrevista para o Jornal da Gazeta, o ex-Presidente Fernando Henrique, resumiu dizendo que Bolsonaro e seus seguidores “se assombram com assombração que não existe.”

O caos de outros Governos invade o atual como um tsunami. Sinal evidente que os tempos de prosperidade ainda não chegaram. Triste constatação. Basta uma greve dos caminhoneiros, ou uma greve geral contra a reforma da Previdência e o desarranjo será geral.

Comemorar o dia do Trabalhador com 13 milhões de desempregados é a própria obviedade de que os tempos de prosperidade estão bem longe.

Elizeu Gonçalves Muchon – Professor e Jornalista.

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