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Opinião: “Abracadabra”, por Elizeu Gonçalves Muchon

Elizeu Gonçalves Muchon é professor e jornalista

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Elizeu Gonçalves Muchon - Foto: Divulgação

Abracadabra, a mágica que promove mudanças de comportamento nos três poderes da República Brasileira, embrulhando a míope sociedade.

Tudo o que é certo hoje é errado amanhã. Nem a palavra escrita tem mais valor, quiçá a palavra verbalizada. Tamanha é a insegurança e a mudança de humor e de opinião entre os três poderes, que a tal independência entre os mesmos só está no papel, pois na prática a interferência é constante, provocando muitas crises institucionais, e quem paga o pato é a sociedade.

Assim, não temos exatamente um congresso nacional, mas um ajuntamento de 513 deputados Federais e 81 Senadores. Assim, não temos uma Suprema Corte, mas um ajuntamento de 11 Ministros. Assim, não temos um Poder Executivo, mas um ajuntamento de partidos, que pensam diferente, agem diferente, defendem ideologias díspar, mas estão juntos em nome de uma tal “governabilidade” com plataformas conflitantes dentro de uma mesma gestão.

Os três poderes são irmãos xifópagos por inclinação e temperamento. São filhos da mesma casta que controla e utiliza o Estado para interesses individuais e corporativistas.

Abracadabra é uma mágica poderosa que faz o supremo mudar de opinião conforme o CPF do réu. Abracadabra é a mágica de elaborar leis com interesses próprios. Abracadabra é mágica poderosa que faz o governo mudar de opinião de um dia para o outro sem nenhum planejamento estratégico para o bem comum.

As campanhas eleitorais para Presidente da República já começaram, fora de época, como sabemos, com comícios sem autorização da lei eleitoral, é terra de ninguém. Estão de volta os que gangrenaram a democracia brasileiras.

Essa história de que o poder emana do povo é no mínimo duvidosa, pois nem sempre o povo utiliza seu poder para fazer as melhores escolhas, sobretudo aqueles que criticam os políticos, mas no dia da eleição vai para praia, ou se esconde atrás de sua covardia.

Enquanto isso, nossos poderes continuam agindo como querem, sendo cada vez mais evidente que são irmãos triplamente xifópagos, alimentados pela mesma fonte: “O dinheiro do povo brasileiro”.

Com as eleições, serão renovados os Poderes Legislativo e Executivo, o Judiciário não. Seja como for, saibam que eles continuarão interferindo-se entre si, no entanto, no fundo, lá no fundo, unidos em prol de seus próprios interesses.

Elizeu Gonçalves Muchon – Professor e Jornalista

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