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Opinião: “Balaio de gato”, por Elizeu Gonçalves Muchon

Elizeu Gonçalves Muchon é professor e jornalista

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Elizeu Gonçalves Muchon - Foto: Divulgação

Tudo nesse mundo é mais ou menos inexplicável. Logo, não é errado afirmar que tudo é relativo.

Até mesmo as letras frias da Constituição Federal – frias, mas garrafais – onde diz que todos são iguais perante a lei, são absolutamente relativas.

Não sou entendido em leis, mas me parece de uma clareza matemática a hipocrisia contida nesse art. 5º da Lei maior.

Basta analisar um réu que foi preso roubando bolacha na prateleira de um supermercado, donde saiu algemado, levado aos empurrões, mesclados com pescoções e compara-lo a um sujeito que roubou bilhões dos cofres públicos, que dispõem de bons advogados para defende-lo. Nota-se, imediatamente que não são iguais perante a lei, pois ela é inacessível ao ladrão de bolachas.

Esse ladrão de bolachas, foi roubado pelo ladrão de colarinho branco. Roubaram-lhe a escola, a saúde, as oportunidades. Por fim, prezo, o sistema prisional lhe ofereceu uma cela com mais vinte infelizes.

Quanto ao do colarinho branco, seus advogados protelam sua prisão. É uma infinidade de recursos, embargos, embargo dos embargos, além da caneta generosa de alguns tribunais, em especial a Corte Suprema, onde seus integrantes batem cabeça como a saga de um time de várzea.

Literalmente um balaio de gato. Uma cruel insegurança, sendo que a interpretação de um senhor ou senhora de toga, vale mais que a opinião de 207 milhões de pessoas, tudo em nome do chamado “ordenamento jurídico”.

Contudo, se por um deslize, o do colarinho branco for para atrás das grandes, a sela será especial e com conforto. Ao primeiro descuido, seus advogados botam de volta na rua. Já o das bolachas, esse vai mofar atrás das grandes, pois, mesmo quando cumprir sua pena, não terá um Defensor Público para fazer um mísero boletim de soltura.

Aí, me vem a lei dizer que todos são iguais. Hipocrisia!

Somos, tantas vezes, escravos das aparências, das coisas, das pessoas, dos sistemas, das leis... A notícia ruim é saber que estamos à mercê de uma Suprema Corta confusa e insegura.

ELIZEU GONÇALVES MUCHON – PROFESSOR E JORNALISTA

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