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Opinião - “Do limão uma limonada”, por Elizeu Gonçalves Muchon

Elizeu Gonçalves Muchon é professor e jornalista

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Elizeu Gonçalves Muchon - Foto: Divulgação

O presidente eleito, Bolsonaro, tem que fazer do limão uma limonada. Ou seja, colocar em prática seu programa de governo. Mas qual programa de governo? O que foi entregue na justiça eleitoral, mais parecia uma carta de boas intenções. Não apenas o Bolsonaro, visto que, com raras exceções, os demais candidatos também registraram uma carta de intenções, geralmente ilustrada com vários pacotes de bondades. Infelizmente, programa de governo foi a última coisa, na qual se prestou atenção nessa campanha. Entretanto, é possível, mesmo assim, que o futuro presidente consiga arrumar o país.

Suas dificuldades, no entanto, começam com um rombo de 260 bilhões no orçamento para 2.019. Passa por reformas impopulares e depende de um Congresso Nacional formado por uma salada de deputados e senadores de diversos partidos, com um viés corporativista.

Não duvido da boa vontade do presidente. Mas, é preciso analisar o alinhamento do discurso de campanha, que vendeu uma realidade equivocada e díspar entre propaganda eleitoral e o ato de governar. Fez lembrar a genial campanha do ex-presidente Jânio Quadros, que encantou o país com seu marketing e seu slongan da vassourinha como símbolo de campanha. “Varre, varre, vassourinha, varre, varre a bandalheira”. Jânio não se sustentou no governo e renunciou. Espera-se que Bolsonaro tenha ações exitosas e possa ter um governo de prosperidade.

Neste sentido, ele tem desenvolvido uma intimidade perigosa com seu ministro da Economia Paulo Guedes. Até onde vai o poder do ministro e até que ponto o presidente vai interferir? Autonomia é importante, mas tem limites. Usando ainda a experiência de Jânio, ele dizia que intimidade gera aborrecimento e filhos. Essa preocupação se aplica aos demais superministérios, pois há um temor de que cada ministério possa ser uma “instituição” desconectada do comando central. Ex.: até quando Moro vai obedecer a ordens do presidente?

Existe uma máxima sobre administração pública que profetisa: “o difícil não é fazer obras e tocar projetos, em administração pública, o difícil é administrar o ego dos que gravitam o poder”.

De toda maneira, o princípio elementar em economia é gastar menos do que o arrecadado. A diminuição de ministérios é um passo importante como demonstração de vontade de controlar os gastos públicos. O controle da corrupção é outra decisão fundamental. Sem uma economia equilibrada, não será possível implantar políticas públicas tão necessárias e esperadas. Assim sendo, é preciso otimismo e confiança na esperança de que o novo presidente possa garantir o crescimento do país. Simples assim: pegar o limão e fazer uma limonada.

Elizeu Gonçalves Muchon – Professor e Jornalista

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