Buscar

Opinião: “Ferrovias e hidrovias”, por Elizeu Gonçalves Muchon

Elizeu Gonçalves Muchon é professor e jornalista

Cb image default

Elizeu Gonçalves Muchon - Foto: Divulgação

Fim da greve! Qual o saldo a ser contabilizado? Para uns, um prejuízo de muitos bilhões de reais na economia do país, além de uma conta de pelo menos 15 bilhões para o Governo pagar para Petrobrás. Para outros um lucro imensurável por fazer o combalido e carcomido Governo Temer a refletir sobre a necessidade de uma reforma tributária, sobre uma política de preços equivocada da Petrobrás, sobre o sofrimento dos caminhoneiros que dedicam os dias de suas vidas para cruzar esse país continental em estradas ruins, inseguras, com pedágios caríssimos e mais uma séria de adversidades quase irrecicláveis que ceiva a vida de pais de família, ou na melhor das hipóteses escraviza nossos heróis caminhoneiros.

Há os que definem tudo isso como atear a fogueira da crise sem perceber que nela se queimará. Outros discordam e afirmam que esse “fenômeno” reflete o saco cheio do povo brasileiro com a anomalia da corrupção, a inércia, a incompetência, a desfaçatez e o conluio entre os três poderes da República, que num todo sufoca o povo brasileiro e mata os sonhos de uma economia pujante, assim como as leis alfarrábias, (se não a Constituição), mas as leis infraconstitucionais, velhas, arcaicas, que não desburocratiza que trava o país e promove a impunidade.

Tem aqueles que se declaram boquiabertos, pasmos em ver pessoas que aproveitaram esse movimento “legítimo” para clamar pela volta da ditadura, gente que não viveu os horrores das torturas, das censuras e da opressão, ou faltaram na aula de história. É como um sujeito que vai ao velório de alguém para paquerar a viúva. Para esses, resta perguntar se realmente eles sabem o que é uma intervenção militar, uma ditadura. Eu repilo, discordo veementemente de alguém que tira proveito dos sofridos motoristas para pedir intervenção, aliás, isso é crime, fere a lei de segurança nacional. (Pessoas tóxicas das quais devemos fugir).

Tem aqueles que comemoram, afinal os motoristas conquistaram 100% da pauta de reivindicação, enquanto outros sindicatos país a fora morrem de inveja, pois nunca ninguém conseguiu tamanho êxito.

Mas também tem aqueles que estão e olhos e orelhas abertas para o anúncio do Governo de que terá de tirar dinheiro do SUS, da educação, onerar exportadores e tantos outros lugares para subsidiar, (pagar) para a Petrobrás os tais 46 centavos de diminuição no preço do diesel. É o tal cobertor curto.

Pra não dizer daqueles que estão, em um exercício de reminiscência, lembrando que nos últimos Governos, a Petrobrás teve um prejuízo de 3 bilhões roubados na mão grande para pagar Deputados e Senadores, no período do petrolão, para que os mesmos aprovassem os projetos do governo, assim como alguém lembrando da compra de refinaria enferrujada por um caminhão de dólar e tudo mais. Até que a bomba estourou.

Onde estão as ferrovias e hidrovias? Transporte barato para cruzar esse país gigante e garantir o abastecimento economicamente viável e com menos poluição. Vamos lembrar, que quando Juscelino Kubitschek, o JK assumiu a presidência da república ele priorizou o transporte rodoviário desdenhando as ferrovias e hidrovias. Claro que era necessário abrir rodovias, mas não havia necessidade de desprezar outros tipos de transporte. Política essa, também prioritária no Governo de Washington Luís e todos os outros que assumiram a presidência.

Ou seja, o acumulo de equívocos ao longo de diversos governos, agravados por incompetência e corrupção, levou o país a esse caos generalizado. Especificamente no caso do transporte de cargas, a única saída a médio e logo prazo é investir pesado em ferrovias e hidrovias, como forma de baratear o transporte, diminuir a poluição e com isso melhorar as rodovias com a diminuição do fluxo de caminhões.

É possível concluir que não foi a greve que parou o país, mas a política e a estrutura administrativa do país que causou o caos.

Elizeu Gonçalves Muchon – Professor e Jornalista

[email protected]

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.