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Opinião: “Festa da democracia”, por Elizeu Gonçalves Muchon

Elizeu Gonçalves Muchon é professor e jornalista

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Elizeu Gonçalves Muchon - Foto: Divulgação

As eleições é a “festa da democracia”, (pelo menos é o que dizem). Somente assim poderemos ter uma democracia vivaz, com eleições diretas e livres, desde que, evidentemente, seja garantida a lisura absoluta no pleito eleitoral.

É claro, no entanto, que devemos considerar que somos “santos e pecadores”. Nossos arcabouços legais parecem piorar. Haja vista, que o calendário eleitoral determina que 16 de agosto é a data a partir da qual os candidatos e partidos políticos podem fazer comícios, mas na prática tem pré-candidato fazendo comício há muito tempo, mesmo sem fiscalização e sem prestar contas, indubitavelmente burlando a lei e prejudicando o processo eleitoral.

A convenção sobre os direitos civis e políticos diz que todo cidadão tem o direito e a oportunidade, sem qualquer restrição excessiva de votar e ser votado, desde que atenda as condições de elegibilidade. Porém, na prática, esse direito é exercido em condições muito diversas e difusas, considerando que as forças do poder econômico sobrepõem e dita as regras em busca do poder.

A tal festa da democracia, importante e necessária, na verdade é uma festa “bem cara”. Manter o TSE funcionando, os TREs e os cartórios eleitorais, subentende-se uma “cifra” assustadora. Em ano eleitoral, os custos majoram enormemente esse valor. Há de se lembrar, inclusive, que nessa eleição o financiamento é público, ou seja, nós é que vamos financiar os candidatos.

A final é uma festa, resta saber qual vai ser o tamanho da ressaca. A intensidade da dor de cabeça que o resultado das eleições vai nos causar. Até porque, boa parte dos pré-candidatos está encrencada com a justiça. Tem de tudo: preso, denunciado, investigado e talvez algum honesto, talvez, porque afinal somos “santos e pecadores”, assim como o eleitor que faz parte dessa massa. Longe de mim querer achar que todos estão chafurdados no lamaçal da corrupção, ou incutir um pensamento deletério, na condição de simples mortal, quando um ministro da Suprema Corte afirma que há uma onda excessiva de denuncismo no país.

Um dos espetáculos mais bizarros em período eleitoral são pesquisas de opinião. É um festival de pesquisas, nem sempre “republicanas”, que levou alguém a definir a pesquisa eleitoral sendo igual biquíni, mostra o principal, mas esconde o essencial.

Quanto aos partidos e as ideologias, esquece, afinal, partido pressupõem um conjunto de pessoas que se unem para implantar uma ideia, um projeto para o país – ou não. No Brasil são tantos partidos que tal fragmentação nos leva a imaginar um congestionamento de ideias, a ponto de ser impossível visualizar onde está a direita ou a esquerda. A separação é frágil, é uma linha tênue, onde no detalhe mora o diabo, como bem definiu Santo Agostinho.

Bem ou mal, me recuso ficar fora dessa festa democrática, claro, estarei lá. Festa é festa, seja na laje onde cada um leva sua própria cerveja, ou nos palácios luxuosas com pratarias de reis, princesas e presidentes. Como estamos falando de outra festa “a da democracia”, igualmente não vou perder, até porque quem vai pagar a conta somos nós, os contribuintes, delapidados, roubados, esfolados, mas felizes dentro do possível. Para tanto, vamos tentar fazer a melhor escolha possível.

ELIZEU GONÇALVES MUCHON – PROFESSOR E JORNALISTA

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