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“Pacto pelo poder”, por Elizeu Gonçalves Muchon

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Elizeu Gonçalves Muchon - Foto: Divulgação

Aos poucos o papo de nova e velha política vai desaparecendo. Com exceções de algumas farpas de cunho ideológico, ademais o que se vê no cenário político do Brasil, é o arranjo de um pacto, não importa se da “nova ou da velha” política, mas um pacto essencialmente pelo poder.

O Guedes alardeia que a não aprovação da Reforma da Previdência será um acontecimento escatológico. Uma espécie de fim do mundo. Uma antecipação do Apocalipse.

Os Parlamentares, por sua vez, (e aí inclui-se parte dos veteranos e parte dos novatos), se postam de humildes, fazem jogo duro para negociar o voto, usando a desgraça do cidadão como barganha. Se apresentam como paladino da verdade, quando deveras parecem ser os “faustos da corte”, acostumadíssimos com o luxo e ostentação.

Todos querem um naco do poder, mas não se vê o menor gesto altruísta em benefício do coletivo, especialmente de uma legião de desempregados.

Bem disse Millor Fernandes: “Em Brasília, o vento que passa, os perfumes que chegam com a primavera, a própria “ prima Vera”, tudo que se vê, se sente e se respira, conspira”.

Parece razoável afirmar que em política, primeiro se coloca o elefante na sala, depois negocia sua saída.

É evidente que não se faz política sem diálogo. No entanto, é necessário qualificar o diálogo. Fazê-lo pelo coletivo e não ser um incógnito, pragmático, individualista e sobretudo usar o povo como massa de manobra para colocar em prática um macabro pacto pelo poder em detrimento do cidadão.

O mimimi das reformas, do novo pacto federativo, da melhora na distribuição de renda e tudo mais que gravitam os debates, passa longe das classes representativas, dos sindicatos, dos profissionais liberais. Só se vê reunião com os empresários. É um debate caolho, de caráter exclusivista em perfeita dissintonia com as necessidades do país.

No fundo o que se vê é um pacto pelo poder, quando no final das contas ficará tudo bem para os detentores do poder e tudo muito mal para o trabalhador que terá que esticar seus anos para um dia, quem sabe, ter uma aposentadoria para comprar os remédios, em velhice acabrunhada.

Elizeu Gonçalves Muchon – Professor e Jornalista

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