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“Padrão Lava Jato”, por Elizeu Gonçalves Muchon

Elizeu Gonçalves Muchon é professor e jornalista

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Elizeu Gonçalves Muchon - Foto: Divulgação

O povo pede combate à corrupção. Bolsonaro, em campanha prometeu combatê-la. Para muitos, no fundo, aquilo seria mais uma promessa de político.

Porém, ele surpreendeu e convidou justamente o protagonista do combate a corrupção, juiz Sérgio Moro, para levar o padrão Lava Jato ao seio do Executivo.

Moro aceitou. Foi uma decisão inacreditável, cuja perplexidade se justifica no fato de que o juiz que é concursado, com cargo vitalício, obrigou-se a pedir exoneração, (condição imposta pela constituição federal), para assumir cargo de ministro de governo.

Em sua entrevista coletiva, o juiz falou de forma direta e reta. Em outras palavras, mandou o seguinte recado: em vez do governo criar condições para roubar, (como acontece desde sempre no Brasil), irá, desta vez formar uma forte barreira frente ao cofre.

Sobre o assunto, as opiniões se dividem. Apoiadores de Haddad – especialmente os que têm problemas com a justiça – fazem críticas pesadas. Arrancam argumentos do arco da velha para justificar que Moro envergonhou a justiça. Cometeu grave erro ético. Abandonou a toga para virar político, cuja decisão cheira parcialidade.

Outra parte da população, especialmente os bolsonarianos, brindam a decisão acertada do capitão. Afirmam que Bolsonaro deu sinais inequívocos de que, efetivamente não vai permitir roubalheira.

O desafio de Moro é maior do que se pode imaginar. Como ministro de governo, terá que adotar o diálogo. Ter consciência de flexibilidade e saber que o governo tem que funcionar com engrenagem e sintonia entre os diversos ministérios, sempre submetidos ao comando do presidente e à mercê das votações no Congresso Nacional. É evidente, no entanto, que tudo isso é possível sem abrir mão da seriedade e comportamento probo.

Não há unanimidade. É bom que seja assim. Eu, por exemplo, acredito que Moro poderá dar enorme contribuição ao governo Bolsonaro. Acredito que com o superministério que assumirá, sobretudo, com a autonomia que recebeu do presidente, fará uma devassa nos podres encrustados nos gabinetes, corredores e porões dos palácios de Brasília. Caso contrário, ele mesmo (Moro), decretará sua “condenação” perante a opinião pública.

Moro, ao deixar a magistratura não terá mais seus “ativos intangíveis”. Passa de estilingue para vidraça. Todavia, carrega uma experiência de 22 anos de magistratura, uma inteligência peculiar e uma enorme convicção daquilo que quer. Mas, também não é santo. Esqueça, não existe homem santo. Isso se aplica a Bolsonaro. O consolo é que também não são deletérios, nocivos, pelo contrário, considerando as fraquezas humanas, pode se afirmar (pelo menos até aqui), que Moro e Bolsonaro são limpos e podem sim implantar um padrão lava jato e sua infinitude no Governo Federal.

Elizeu Gonçalves Muchon – Professor e Jornalista

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