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“Período de maturação das eleições”, por Elizeu Gonçalves Muchon

Elizeu Gonçalves Muchon é professor e jornalista

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Elizeu Gonçalves Muchon - Foto: Divulgação

Principalmente os candidatos que não aparecem com boa avaliação nas pesquisas, preferem dizer que o eleitor ainda não está focado nas eleições e que, somente após a copa do mundo de futebol, é que os assuntos eleitorais tomarão conta da agenda dos brasileiros. Segundo essa interpretação, estamos vivendo um período de maturação das eleições.

Fato é, que nos bastidores, o assunto entre os pré-candidatos e partidos políticos, chama-se: coligações. Quem, fica com quem.

Sabemos que a discussão sobre os efeitos das coligações eleitorais passa pelas questões das regras de competição e da qualidade da representação. Neste sentido, há na literatura política um debate profícuo de como ocorrem essas coligações. Quase sempre são levados em conta os interesses, o pragmatismo, quando na verdade deveria ser ao contrário, os programas, as tendências ideológicas é que deveriam definir as coligações.

Comparando com o futebol, é como propor uma coligação, uma aliança entre Corinthians e Palmeiras, ou Brasil e Argentina, é pouco provável que isso dê certo.

Em nosso Mato Grosso do Sul, não é diferente do resto do Brasil. Na terra do Pantanal, temos três candidatos que aparecem bem nas pesquisas: André, Odilon e Reinaldo. O PT, que nas últimas décadas aparecia nessa elite, agora amarga as últimas posições com seu candidato Humberto Amaducci. Inclusive, o presidente da legenda o deputado Zeca, descartou aliança com o PDT nestas eleições, segundo ele, porque o PDT com chapa encabeçada por Odilon, não representa a ideologia de esquerda, fez opção por uma candidatura de direita, cuja razão enterra qualquer possibilidade de aliança, conforme o Zeca, que é candidato ao Senado.

Por sua vez, o PDT de Odilon tem confirmado aliança com o ‘Podemos’, que apresenta Chico Maia na chapa majoritária como candidato ao Senado. A outra vaga para o Senado, fala-se em Pedro Chaves do PRB e até a mulher do senador Pedro, a professora Reni Chaves é cogitada como vice de Odilon. Falta combinar com os dirigentes PRB que torcem o nariz.

Já o PSDB do governador Reinaldo promete grande arco de aliança, mas na prática, até o momento não bateu o martelo em nada. O sonho dos tucanos é amarrar o DEM. Aí consistem em algumas complicações, pois os deputados estaduais Zé Teixeira e Barbosinha querem coligação com Reinaldo. A deputada federal Tereza Cristina prefere André do MDB e o deputado federal Mandeta prefere candidatura própria com Murilo Zauith encabeçando. Outra tendência do PSDB é consolidar aliança com o PP do ex-prefeito da Capital, Alcides Bernal, que será candidato a deputado federal, mas quer emplacar o vice na chapa de Reinaldo. Também está quase amarrada a aliança com o PTB de Nelsinho Trad, que deve ocupar uma das vagas para o Senado na chapa de Reinaldo. Nesse contexto surge um obstáculo, pois a primeira vaga para o Senado, os tucanos já reservaram para o ex-secretário de Obras, Marcelo Migliori, contrariando Geraldo Resende que assevera ter mais musculatura política para esse cargo, assim como tem os que defendem que esta vaga pode ou poderia ser de Murilo Zauith em uma eventual coligação com o DEM, neste sentido, alguns líderes políticos concordam com Resende, afirmando que Migliori não tem base política e tem a popularidade da broca do dentista, portanto, caracterizando um equívoco dos tucanos, já que (segundo lideranças do PSDB), a prioridade é reeleger Reinaldo, compensando assim, ceder a vaga de vice e as duas vagas para o Senado aos aliando, ao contrário, não se consolida o grande arco de alianças.

Outra expectativa é para saber quem o MDB de André Puccinelli vai arrastar para seu palanque. Segundo ele mesmo tem declarado, o MDB está buscando alianças com o PHS, PTC, PEN, PRTB, PMB, PSDC, PMN e DEM. Para a vaga do Senado, André já mandou avisar que o grupo vai trabalhar para reeleger o Moka e liberar a segunda vaga.

Outro apoio desejado é do Prefeito de Campo Grande Marcos Trad. No entanto, Marcos Trad afirma que deixou a decisão do apoio a sucessão estadual nas mãos da cúpula nacional de seu partido o PSD, também garantiu que ele não faz aliança com homens, só com Deus. Mas tem sido flexível e já compareceu em encontros políticos do Reinaldo, André e Odilon. O apoio de Marquinhos poderá ser o fiel da balança para definir o próximo governador.

Nesse tabuleiro, a palavra estratégia, (leia-se esperteza), é a palavra chave na busca de formar um palanque forte com o objetivo de vencer as eleições, isso se aplica a todos os grupos políticos, sem exceção. Nesse instante ninguém está preocupado com a letalidade que uma coligação malfeita pode causar para um futuro governo, ou seja, quem planta abobora não vai colher melancia.

Por hora, é torcer para o Brasil ser campeão.

Elizeu Gonçalves Muchon – Professor e Jornalista.

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