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“Porque o preço do combustível é tão alto no Brasil”, por Elizeu Gonçalves Muchon

Elizeu Gonçalves Muchon é professor e jornalista

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Elizeu Gonçalves Muchon - Foto: Divulgação

Por que nossa gloriosa gasolina é tão cara? Por que nossos vizinhos sul-americanos, que não produzem uma gota de petróleo, têm preços incrivelmente mais baixos? Por que diabos é tão caro por aqui?

A Petrobrás sempre dá uma explicação cheia de vírgulas, reticências, interrogações e tudo mais que não passa de enganação, hipocrisia, nunca esclarecendo o obvio.

Além do altíssimo nível de corrupção que por lá permeia, (Petrobrás), no preço da gasolina está embutido quase 60% de impostos, para ser preciso, 57,13%. Ou seja, mais da metade do preço de um litro de combustível são impostos.

O Brasil é quase alto suficiente em petróleo e com invejável cultura de cana de açúcar, mas tem o combustível mais caro do mundo. Sempre, ou quase sempre foi assim. Não é nenhuma novidade os preços altos, todavia, o novo modelo implantado pela Petrobrás, (3 de julho de 2.017), implica em fazer alterações diárias nos preços, buscando manter a competitividade internacional. Desde que essa medida passou a vigorar, a Petrobrás já anunciou 45 alterações nos preços da Gasolina e Diesel, tanto para mais quanto para menos.

A questão é que tanto sobe e desce com reajustes diários, que em algumas vezes chegam a se anular, está DANDO ORIGEM a uma certa esperteza de quem está no meio do caminho, distribuidoras e postos de combustível, estão repassando os AUMENTOS, mas não as QUEDAS.

Quanto sofrimento recai sobre as costas dos brasileiros, que vivem em um país com tantas riquezas naturais, mas nunca consegue usufruir delas. Para quem serve esta quase alta suficiência em petróleo no Brasil? Quem faz a festa?

Uma das graves consequências do altíssimo preço dos combustíveis, aliado ao também altíssimo preço da energia elétrica, é que diversas indústrias brasileiras estão se instalando no Paraguai. É bom lembrar que o Paraguai não tem nenhum poço de petróleo, nem pré-sal, nem Petrobrás e que sua energia elétrica é produzida em parceria com o Brasil na Hidrelétrica de Itaipu.

Deixando de lado o combustível, porém continuando em uma reflexão correlata, ter um carro é sempre muito carro. Possuir um carro é pagar 29% do preço da tabela média, (carro usado) em impostos, mais taxas de transferência, vistorias, placas, DPVAT, IPVA, multas (a indústria das multas é uma vergonha) e tantos outros. Quanto ao carro zero km, a carga tributária é ainda mais salgada. Mais de 30% nos modelos nacionais e os importados, alguns modelos podem chegar a 60% de impostos no seu valor.

Como explicar essa carga tributária? Nem Freud explica. O que se sabe é que ela é totalmente desproporcional ao resto do mundo. Talvez esse debate possa ser travado pelos candidatos nessa próxima eleição. Uma reforma tributária e um novo pacto federativo é tudo o que tem que ser feito no Brasil, para depois discutir outras reformas, mas duvido muito que algum dos presidenciáveis vão aprofundar nesse tema, então, tudo vai ficar como antes, no quartel de Abrantes, e nós, mortais, com a boca cheia de dentes (podres), esperando a morte chegar e olhando o “carrinho” na garagem com o tanque vazio.

Pergunto aos presidenciáveis: Por que o preço do combustível é tão alto no Brasil?

ELIZEU GONÇALVES MUCHON – PROFESSOR E JORNALISTA

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