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“Quanto vale um voto?”, por Eduardo Martins

Eduardo Martins é professor de história da UFMS no campus de Nova Andradina

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Professor Eduardo Martins - Foto: Divulgação

Quanto vale um voto? Um voto tem valor inestimável, imponderável e incomensurável. Vale o mesmo para homens e mulheres, negros e brancos, católicos e evangélicos, brancos e índios. Mas sobretudo, tem o mesmo peso para um pobre e um milionário, um analfabeto e um "dotô", um médico e um pedreiro, tem o mesmo peso para um notório advogado ou juiz e uma pessoa que trabalha no comércio.

O voto nem sempre foi permitido a pobres, mulheres e demais excluídos. Era um atributo da casta masculina adulta e rica. Para se votar era preciso ser homem adulto e ter dinheiro. Porém, os excluídos do voto foram lutando palmo a palmo para conquistarem também o direito de votar e serem votados. Lutaram para terem representantes nas Câmaras. Assim os trabalhadores pobres exigiram por meio de greves e enfrentamentos a classe patronal para poderem ter representantes que sentissem suas necessidades que eram evidentemente opostas aos dos patrões. Nesse mesmo diapasão, foi a vez das mulheres, historicamente excluídas do poder de votar e serem votadas. Iniciou-se uma verdadeira batalha delas para terem representantes nos parlamentos, se fazerem ouvir suas demandas, suas necessidades e suas pautas como escolas infantis para suas crianças, licença maternidade, delegacias da mulher, pautas de inclusão social e política para o universo feminino, direito de votar e ser votada. Assim o direito ao voto e a consolidação da participação democrática no jogo político da nação foi sendo conquistado lentamente até que o sufrágio se tornasse universal em 1988 com a Constituição Cidadã.

A realidade hoje é de uma ampla participação de todos no processo eleitoral. Cada classe, grupo, gênero, etnia, religião, pode votar e ter representantes nas Câmaras em que escolherem. Os planos de governo dos candidatos devem ser registrados no Supremo Tribunal Eleitoral e disponibilizados aos eleitores. Desta feita, os projetos que envolvem as áreas a serem investidas ou terão prioridades devem estar claras publicamente aos eleitores. Assim, reunidos em grupos de pertencimento, fraternidade, solidariedade ou ideológico escolhem o melhor projeto que lhes representa; pautas sobre educação pública, gratuita, de qualidade e civil, SUS forte e funcional, segurança pública inteligente e interligada nos níveis estadual e federal civil e militar, pleno emprego com carteira assinada, férias, 13°, licença maternidade de 6 meses, direito ambiental assegurado em lei penal para desmatamento zero. Projeto meu primeiro emprego com isenção fiscal ao patrão que der emprego ao jovem egresso do Ensino Médio. Incentivo à agricultura familiar, reforma agrária nas terras devolutas com política de produtividade, política eficaz de habitação popular reforçando e ampliando o programa Minha casa, minha vida com energia solar e água com subsídios do governo. Política indigenista com vistas à proteção integral da pessoa humana em suas diferenças. Políticas públicas para os quilombolas. Taxação das grandes fortunas para subsidiar o Estado, desoneração de Imposto de renda para quem ganha até 5 mil reais e todos os professores e professoras isentas.

Diante das análises de uma proposta assim, clara, eficaz, plausível, humana e inclusiva a classe trabalhadora, índios, negros e os pobres em geral têm suas necessidades, anseios e sonhos pautados e na iminência de serem realizados.

À pergunta inicial de quanto vale um voto foi paulatinamente respondida ao longo dos argumentos acima apresentados. Ele vale o quanto cada um de nós espera de um projeto de governo, mas que no fundo é um projeto de vida, um projeto de sociabilidade humana.

O voto de um mendigo, de morador em situação de rua, de um pobre tem o mesmo valor do voto de um pecuarista, de um latifundiário, de um banqueiro ou de um burguês! A diferença é que nós pobres somos a maioria e simplesmente por esse motivo o projeto que melhor nos representa e nos acolhe deve ser o vencedor.

Por fim, o voto de um trabalhador vale o mesmo do patrão, o do pobre o mesmo que o do rico. Amigos e amigas no dia das eleições você é um gigante, uma pessoa muito poderosa. Você pode derrubar ricos, burgueses e até os ditadores apertando a tecla 13 e confirmando.

A imagem acima em tela cumpre a função de exemplificar a consciência de classe daquele trabalhador e o seu empoderamento sócio-político. Ele sabe o valor do seu voto e que por meio dele pode mudar a sua condição de opressão social e exclusão a qual foi submetido. Desejo que esta singela imagem possa fazer você também tomar consciência da classe a que pertence e qual a sua luta. Mas, sobretudo, lhe mostre o verdadeiro valor do seu voto.

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