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“Rombo da corrupção”, por Elizeu Gonçalves Muchon

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Elizeu Gonçalves Muchon - Foto: Divulgação

O rombo causado pela corrupção no Brasil, continua fazendo vítimas. O efeito colateral é devastador na vida do cidadão. É quase impossível mensurar os prejuízos. Entretanto, os exemplos mais evidentes são as faltas de saúde, educação, segurança pública, empregos e tantos outros itens de primeira necessidade. Por outro lado, sobra sofrimento. Sobra hipocrisia por parte do Governo.

Então vejamos: o ex-Presidente Temer dizia que se aprovasse a “Reforma Trabalhista”, o problema do desemprego seria resolvido. A reforma foi aprovada e tudo ficou como estava. Não aconteceu nada, exceto mais sacrifícios ao povo.

O atual Presidente, Jair Bolsonaro, usa da mesma hipocrisia para afirmar que a reforma da previdência será a solução para gerar treze milhões de posto de empregos. Não é difícil saber que se a reforma for aprovada, nenhum, ou quase nenhum emprego será criado por conta disso. Assim como não é difícil saber que as consequências impostas pela reforma, vai postergar a aposentaria de milhares de cidadãos pobres e os problemas sociais vão aumentar assustadoramente.

É absolutamente falso dizer que reforma da previdência vai girar a roda da economia. Porém, é verdadeiro que o Governo, com uma eventual reforma aprovada, vai melhorar seu fluxo de caixa, vai ter dinheiro para tampar o rombo causado pela corrupção endêmica instalada no país. Tanto é que hoje o governo tem um orçamento engessado, daí a razão de querer uma reforma desumana para arranjar dinheiro.

Os dados da previdência usados para a elaboração da PEC, ninguém tem acesso. É um enigma de propriedade do Governo. Os números e as contas feitas pelo Ministro Guedes não foram e não serão compartilhados com ninguém. Ele se posta como oráculo da verdade. Por exemplo, o atual “suposto rombo da previdência” seria resolvido com o fim da (desvinculação da receita), através da qual o Governo retira 30% da previdência e gasta livremente onde bem entender.

São pelo menos meia dúzia de providências que o governo poderia tomar para resolver o problema, mas é muito mais fácil fazer uma reforma salgada e tirar o dinheiro do bolso do cidadão. É evidente que alguns ajustes serão necessários em nossa previdência, mas, daí dizer que a previdência é o “bode na sala”, que basta tirá-lo e tudo estará resolvido, é subestimar a inteligência dos brasileiros.

De qualquer forma, é bom lembrar Rui Barbosa que dizia: um povo que não luta por seus direitos não é digno de merecê-los.

O atual governo é uma fonte de incertezas. Muita confusão pode acontecer em breve. Uma delas é o imbróglio dos caminhoneiros. O país continua parado, e pior, vendendo uma ideia de que a reforma da previdência irá resolver o déficit público.

Já o Congresso, percebendo a fragilidade do Governo, está agindo e funcionando como se nosso regime fosse parlamentarista. O próprio líder do Governo na Câmara disse que Rodrigo Maia é o Primeiro Ministro. Desta forma, o Executivo é refém do Congresso e o Congresso é refém de uma salada de partidos, sem contar as bancadas temáticas, sem contar a mumunha intrínseca no comportamento dos parlamentares e a natureza de tramitação das matérias. Tudo é complicado.

Elizeu Gonçalves Muchon – Professor e Jornalista.

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