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“Saia justa”, por Elizeu Gonçalves Muchon

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Elizeu Gonçalves Muchon - Foto: Divulgação

Tremenda saia justa para o Governo Brasileiro, quando a polícia espanhola botou as mãos em um segundo-sargento da Aeronáutica – Manoel Silva Rodrigues – que exercia função de comissário de bordo em um avião da Força Aérea Brasileira, com 39 quilos de cocaína, uma aeronave reserva da Comitiva Presidencial que seguia para cúpula do G20, em Osaka, no Japão.

Há um Século, o Jornalista e Escritor carioca João do Rio, cravou a seguinte frase: “Esse país é uma cavalariça sem palafreneiros”. Em palavras mais simples ele disse que esse país – Brasil – é como uma carruagem desgovernada sem um cocheiro para conduzir as rédeas. Cem anos depois, a frase de João, retrata os dias atuais de nossa querida Nação.

Claro que o Presidente Bolsonaro não é responsável pelo fato em si. Ele não sabia, não imaginava e não compactua com esse absurdo. No entanto, o GSI (Gabinete de Segurança Institucional) e a FAB, são totalmente responsáveis por esse lamentável episódio. São responsáveis, porém, deram início a um jogo de empurra. Um diz que é o outro e tudo vai ficando por isso mesmo, numa demonstração inequívoca de uma carruagem desgovernada como profetizou João do Rio.

Por delicadeza e senso ético, nenhum líder presente no G20, censurou, desdenhou ou fez do episódio “um motivo”, até porque não é somente o Brasil que tem problemas com drogas.

O inusitado e tristemente lamentável, é essa droga estar justamente em uma aeronave da comitiva presidencial e com um sujeito que exerce essa função desde o mandato de Dilma. Será que a “mula qualifica”, como disse o Vice Mourão é um neófito de primeira carga, ou uma experiente mula de várias cargas?

Seja como for é conveniente notar a fragilidade na segurança nacional. O despreparo de nossas Forças Armadas, que se quer fiscaliza o comboio de uma comitiva presidencial.

Logo a sai justa tornar-se-á em uma bermuda, e com ela, os brasileiros surfando no significado da frase do João do Rio, passivos, apreciando uma economia em depressão, um crescimento econômico tão lento quanto um passeio de veleiro em um mar sem vento. Aguardando uma reforma da previdência que irá efetivamente desgraçar com as futuras gerações, mas por outro lado, tendo como maior alegria coletiva a comemoração do “fim de um tabu da seleção brasileira contra o Paraguai” em uma mísera Copa América – detalhe - disputa de pênalti. Assim sendo, o que importa uns quilinhos de cocaína em um avião comprado com nossa grana?

Elizeu Gonçalves Muchon – Professor e Jornalista

elizeumuchon@hotmail.com

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